Curitiba - As 350 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) acampadas na Fazenda Três Marias, em Manoel Ribas (146 quilômetros ao sul de Apucarana), pretendem fazer uma manifestação na cidade na próxima segunda-feira. A passeata estava programada para ontem, mas a chuva forte impediu o ato. A manifestação é uma resposta à intenção do Sindicato Nacional dos Produtores Rurais (Sinapro) de cercar a fazenda e só sair depois que seja feita a reintegração de posse.
  De acordo com o presidente do Sinapro, Narciso Rocha Clara, os proprietários rurais da região do Vale do Ivaí estão se mobilizando para fazer uma caminhada rumo à fazenda. ‘‘Essas ações vão ser estendidas para todo o Brasil. Vamos cercar os acampamentos e fazer vigílias nos assentamentos’’, afirmou.
  As famílias estão acampadas na fazenda desde a madrugada do dia 12. A juíza de Manoel Ribas, Adriana Ossipi, já concedeu duas liminares de reintegração de posse. Nenhuma decisão foi cumprida ainda, por falta de apoio policial. O comandante-geral da Polícia Militar (PM) no Paraná, David Pancotti, disse que as decisões serão cumpridas, mas é preciso fazer um estudo antes de enviar os policiais.
  Rocha Clara afirmou que a fazenda é produtiva e por isso a ocupação é totalmente ilegal. O superintendente do Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná, Celso Lisboa, disse que não pode confirmar a informação, porque o laudo da fazenda já perdeu a validade.
  Um dos líderes do MST no Estado, Paulo Pires, disse que as famílias não cometeram nenhuma irregularidade. Rocha Clara havia afirmado que os acampados estariam causando um prejuízo diário de R$ 30 mil. ‘‘O gado e os equipamentos estão liberados para os proprietários. Ninguém está destruindo nada’’, afirmou.
  Segundo Rocha Clara, o Sinapro pretende entrar com ações judiciais pedindo a prisão e destituição de Pancotti, intervenção federal no Estado, com afastamento do governador Roberto Requião (PMDB), e cassação da Comissão Especial de Mediação de Questões da Terra.
  O governo do Estado, por meio da assessoria de imprensa, disse que vai continuar intermediando desocupações para evitar conflitos. O atual governo afirma que os proprietários de terra estão colaborando na solução dos problemas no campo e que nunca recebeu reclamações sobre prejuízos causados por famílias acampadas.
  O governador pretende conversar com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, e o presidente nacional do Incra, Marcelo Resende, na próxima quarta-feira. Na ocasião deve ser formalizado um convênio para agilizar a reforma agrária no Paraná.

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