MST rompe negociações com o Incra sobre orçamento da reforma agrária
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terça-feira, 27 de julho de 1999
Por Hugo Marques, especial para a AE 
Brasília, 28 (AE) - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) rompeu hoje as negociações com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) sobre a recomposição do orçamento da reforma agrária e ameaçou "jogar duro contra o governo". Um dos coordenadores nacionais do movimento, Gilberto Portes, disse que o governo "retrocedeu" nas propostas discutidas com o presidente Fernando Henrique Cardoso no dia 8. O presidente do Incra, Nélson Borges, evitou qualificar a atitude do MST, mas disse que o rompimento não foi por falta "de negociações e concessões".
Um grupo de representantes do MST se reuniu hoje com técnicos do Incra para ouvir as propostas definitivas do governo. Durante a reunião, a terceira depois da audiência com o presidente, o MST deixou a sala e anunciou o rompimento das negociações por entender que a proposta do governo é um "retrocesso".
Avanços - O Incra apresentou no início da noite vários itens que aponta como avanço na negociação com o MST. O Incra aceitou fazer pesquisa no País, com a participação dos movimentos, para definir novo valor para o crédito de habitação, aumentar os recursos de infra-estrutura de R$ 83 milhões para R$ 130 milhões, aumentar os recursos para instalação e criar 250 novas equipes de assistência técnica no País.
De acordo com Gilberto Portes, um dos líderes nacionais do MST, o presidente Fernando Henrique não falou em valores ao anunciar a recomposição do orçamento. Mas a direção do movimento entende que, ao anunciar a disposição em elevar o valor do dinheiro para a reforma agrária, Fernando Henrique sinalizou que seria possível ultrapassar o valor do orçamento para este ano.
Orçamento - O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, disse que vai recompor o orçamento original da reforma agrária este ano, de R$ 1,4 bilhão para R$ 2,2 bilhões, mas afirmou que não será possível atender à proposta de recomposição do MST, que atinge R$ 3,7 bilhões. Jungmann disse que a promessa foi de recompor o orçamento já aprovado pelo Congresso. "Este ano não existe a possibilidade de superar isso", disse, se referindo aos R$ 2,2 bilhões.
O ministro disse que o ideal é os movimentos sociais participarem da elaboração do orçamento da reforma agrária, feito um ano antes de sua vigência."Agora em agosto estamos entregando o orçamento de 2000", disse.
Marcha - Para Jungmann, a marcha dos sem-terra rumo a Brasília"não é uma marcha pela reforma agrária, mas uma marcha política". Ele afirmou que em nenhum momento ouviu os sem-terra falarem sobre reforma agrária na marcha. "Demonstra não uma postura pró-reforma agrária, mas uma postura antigoverno", disse."Vejo um processo de politização e, portanto, enquanto movimento social, uma descaracterização", disse.


