MST reúne-se com superintendente do Incra, não chega a acordo e decide manter acampamento
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quinta-feira, 04 de março de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 05 (AE0 - Os trabalhadores sem-terra que desocuparam, ontem, o prédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no Recife estão dispostos a permanecer acampados nas calçadas defronte e nas ruas próximas da sede do órgão até que o governo federal se pronuncie sobre a liberação de recursos para crédito de investimento e custeio nos assentamentos. Uma comissão do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) esteve com o superintendente do órgão, mas não chegou a nenhum acordo.
"É melhor a gente ficar aqui do que voltar para a situação de miséria dos assentamentos", afirmou o coordenador do MST na Zona da Mata Sul, Carlos Brasileiro. Segundo ele, desde setembro do ano passado nenhum dos 82 assentamentos coordenados pelo MST em Pernambuco recebe um tostão. Os sem-terra desocuparam o prédio do Incra, por ordem judicial, um dia após invadirem o local, quando fizeram cerca de cem funcionários reféns. Hoje, o instituto voltou a funcionar normalmente. Incra - O superintendente regional do órgão, Roosevelt Gonçalves, recebeu uma comissão do MST, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape) e Comissão Pastoral da Terra (CPT) para dizer que não tinha condição de negociar qualquer reivindicação. Ele informou que vai participar durante toda a próxima semana, em Brasília, de uma reunião com os superintendentes regionais do Incra no País. Na ocasião, o Ministério de Política Fundiária vai definir o montante de recursos que caberá a cada Estado para o programa de reforma agrária deste ano.


