MST retoma onda de invasões
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segunda-feira, 26 de setembro de 2005
José Maria Tomazela<br>Agência Estado 
Sorocaba- O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desencadeou ontem uma escalada de invasões de fazendas e prédios públicos em todo o País para cobrar a reforma agrária prometida pelo governo Lula. As ações fazem parte da jornada nacional de lutas do chamado ''setembro vermelho'' e incluíram a ocupação de praças de pedágios nas regiões Norte e Oeste do Paraná.
Segundo balanço divulgado pelo movimento, foram invadidos 21 prédios do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), 8 agências do Banco do Brasil e 6 pedágios, além de 6 fazendas. A mobilização envolveu militantes de 19 Estados.
Para o MST, o governo não atingirá a meta de assentar 400 mil famílias até 2006, como prometeu. O movimento quer mais agilidade na desapropriação de terras, a vigência dos novos índices de produtividade, mais elevados que os atuais, abertura de novas linhas de crédito para os assentados, distribuição de cestas básicas e a reestruturação do Incra.
Foram invadidas sedes do Incra nos Estados de São Paulo, Ceará, Alagoas, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Pará, Minas Gerais, Santa Catarina, Sergipe, Rio de Janeiro e Pernambuco. A direção nacional do movimento informou que as ações são uma forma de chamar a atenção e protestar contra o não cumprimento de 7 pontos do acordo assinado no dia 17 de maio, em Brasília, no encerramento da marcha nacional pela reforma agrária.
No Pontal do Paranapanema, extremo oeste de São Paulo, cerca de 300 militantes invadiram, de madrugada, a fazenda Ipezal, em Sandovalina. As terras pertencem ao presidente nacional da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia. Os sem-terra cortaram a cerca e montaram barracos numa área de pastagem.
No Rio Grande do Sul, foram invadidas três fazendas e um prédio público. A Bom Sossego, com cerca de mil hectares, no município de Palmeira das Missões, a 368 km de Porto Alegre, foi ocupada por 250 famílias. A propriedade pertence ao ex-presidente da Copalma, a cooperativa local, Ari Paulo Huning. Em Santana do Livramento, a 488 km da capital, 400 famílias invadiram uma área arrendada pela cervejaria Brahma.
Na capital sergipana, os sem-terra ocuparam de manhã a sede da superintendência estadual do Incra. O Estado tem 12 mil famílias acampadas e 6 mil assentadas. Em Minas Gerais, 1.500 famílias invadiram a fazenda São Miguel, de 45mil hectares, entre os municípios de Una e Buritis, em Minas Gerais, e Cabeceiras, no Estado de Goiás. As manifestações prosseguem pelo menos até o fim do mês.
No Paraná, a jornada começou com ocupações de praças de pedágio. (Leia sobre o assunto na página 3)


