O Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) voltou a agir com novas invasões a edifícios públicos em vários locais do País. Desde maio, quando o MST fez uma série de ocupações a prédios do governo, não eram promovidas ações desse tipo. Ontem foram organizadas ações em pelo menos 10 dos 27 Estados brasileiros, mas as invasões só ocorreram em algumas capitais como Curitiba, Porto Alegre e Belo Horizonte, além de municípios paulistas. O principal motivo do protesto é a lentidão no processo de reforma agrária.
‘‘Os recursos são liberados com alguns atrasos, às vezes, mas a verba sempre sai; isso não é argumento para reiniciar as invasões.’’ Foi dessa forma que o ministro da Justiça, José Gregori, condenou as invasões do MST (ver texto abaixo).
Segundo José Damasceno, da direção do MST no Paraná, o movimento pede a liberação imediata de R$ 2 mil para cada família assentada, com desconto de 40% na hora de quitar a dívida, mas a negociação vem se arrastando desde maio.
‘‘Chegamos no período da safra de verão e não se tem o dinheiro no banco’’, criticou. O movimento nacional cobra ainda que o governo federal cumpra a promessa de assentar, até o fim do ano, 45 mil famílias no campo, além da liberação de R$ 400 milhões em todo o País para os assentamentos, o que já deveria ter ocorrido.
Em Porto Alegre (RS), os integrantes do MST invadiram pela manhã os edifícios do Ministério da Fazenda e do Incra. A ação foi apoiada por integrantes do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).
No Recife, cerca de 200 trabalhadores acamparam ontem na praça na frente da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf). A partir de hoje eles pretendem, diariamente, por tempo indeterminado, ir ao Incra cobrar maior velocidade nos processos de vistoria e desapropriação de terras em Pernambuco.
‘‘Decidimos não acampar na frente do Incra para eles não nos acusarem de impedi-los de trabalhar’’, afirmou o dirigente Romel Figueiredo. De acordo com Romel, a estratégia faz parte da jornada nacional pela reforma agrária. Ele afirmou que os sem-terra vão ficar pressionando o Incra até obter resultados concretos.
A assessoria do Incra informou que o órgão tem trabalhado normalmente e que o superintendente regional, Geraldo Eugênio, desconhecia a iniciativa do MST.

mockup