Cerca de 100 trabalhadores rurais sem-terra já ocupam uma área de 171 hectares da Fazenda Vileta, em Iperó, interior de São Paulo, que começou a ser invadida quinta-feira por 12 famílias. Desde o início da ocupação, o número de barracos de lona vem aumentando na gleba ocupada. Ontem de manhã, chegou um ônibus com sem-terra procedentes de Sumaré, na região de Campinas. A ação marca a retomada das invasões coordenadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na região de Sorocaba. A área ocupada é vizinha da Fazenda Ipanema, invadida na década de 80, onde o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) assentou cerca de 300 famílias em 1.180 hectares.
Segundo o proprietário, Nicola Carrieri, de 65 anos, essa é a terceira invasão sofrida pela fazenda, adquirida por seu bisavô, Rafael Avino, em 1886. Nas ocupações anteriores, ocorridas entre o final de 96 e o início de 97, ele conseguiu despejar os sem-terra após obter liminares de reintegração de posse na Justiça. Ele alega que a propriedade sempre foi produtiva. Parte da área está plantada com feijão e o restante é de pastagens. Até o ano passado, disse, a produção era de 400 litros de leite por dia. ‘‘Havia contratado com uma usina o plantio de 120 hectares de cana de açúcar, mas os sem-terra entraram e ameaçaram os tratoristas que preparavam o solo’’, reclamou.
A invasão criou um clima de intranquilidade na região. O produtor José Luiz Alves de Souza, que tem 10 hectares de feijão plantados ao lado da gleba ocupada, disse que os sem-terra cortaram a cerca que protegia a lavoura. Souza acredita que o MST está fazendo um ‘‘estoque’’ de sem-terra na área para realizar novas invasões. ‘‘O número de famílias que já entraram é grande demais para o tamanho da fazenda’’, disse. ‘‘E a cada hora chega mais gente’’.
O deputado Hamilton Pereira (PT), que esteve na fazenda a convite dos sem-terra, disse que o Incra pode desapropriar parte das terras. Segundo ele, técnicos o instituto fizeram uma vistoria na fazenda e devem retomar as negociações durante a semana. Carrieri entrou na Justiça com novo pedido de reintegração, mas até hoje não havia obtido a liminar para o despejo dos sem- terra. Ele confirmou o interesse em negociar com o Incra.

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