BRASÍLIA - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se recusa a abandonar as invasões de terras e de prédios públicos para tentar ampliar as negociações sobre a reforma agrária com o governo federal. Na prática, isso significa que o movimento não vai aceitar a proposta de ‘‘trégua’’ que o presidente Fernando Henrique Cardoso fará na audiência de sexta-feira com os sem-terra. ‘‘Isso não está nem em questão. Nós não pedimos trégua. Eles pediram. E quem pede trégua é porque reconhece que é fraco, que está derrotado’’, declarou ontem o líder sem terra José Rainha Jr.
Depois de ter se referido ao movimento como ‘‘primitivo’’ durante viagem à Europa em fevereiro, o presidente Fernando Henrique Cardoso tem se esforçado para demonstrar boa vontade em relação ao MST. A súbita mudança de atitude por parte do governo inclui a liberação de verba de R$ 215 milhões para melhorar a infra-estrutura de assentamentos, desapropriações de terras de devedores da Previdência e até a disposição de receber líderes do movimento em audiência.
‘‘O que o FHC fala tem 10% de credibilidade conosco. Se ele diz que vai dobrar o número de assentamentos é por causa da nossa luta, das invasões, da marcha. O Brasil não funciona sem pressão’’, declarou Enio Bonenberger, da direção nacional do MST. Ele afirmou ainda que as terras oferecidas pelo governo se concentram nas regiões Norte e Centro-Oeste do país. ‘‘Das 47 mil famílias acampadas no Brasil, 60% são do Sul e do Sudeste. Como nossa proposta é de assentar o trabalhador em sua região de origem, isso não adianta nada’’, completou Bonenberger.

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