MST recebe prêmio de fundação belga na quarta
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terça-feira, 11 de março de 1997
Luiz Taques de Campo Grande 
J.J.CajuReconhecimentoPara o líder do MST Egídio Bruneto, prêmio atesta solidariedade internacional à causa sem-terraO Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) recebe na próxima semana o prêmio internacional Rei Balduíno para o Desenvolvimento. O prêmio - no valor de US$ 125 mil - é concedido a cada dois anos pela Fundação Rei Balduíno, com sede em Bruxelas, na Bélgica, a personalidade ou entidade que luta pelos direitos da pessoa humana.
Egídio Bruneto, do Mato Grosso do Sul, dom José Gomes da Silva, bispo de Chapecó (SC), e Ivanete Tonin, do Rio Grande do Sul, vão receber o prêmio em nome do MST. O bispo substitui José Rainha Júnior, líder do MST no Pontal do Paranapanema (extremo oeste de São Paulo), que teve a prisão preventiva decretada pela Justiça paulista.
A Fundação escolheu o MST porque considera que a reforma agrária é absolutamente necessária para o Brasil, acredita Egídio Bruneto, 40 anos, coordenador do MST no Mato Grosso do Sul. O prêmio foi criado em 1978. O MST disputou a premiação com outras 75 entidades do mundo.
Esse prêmio é um atestado de solidariedade internacional à nossa luta, observa Bruneto. Jean Paul Warmoe, coordenador de projetos e secretário do comitê de seleção do prêmio Rei Balduíno, que recentemente esteve no Brasil, informou a Egídio Bruneto que a cerimônia de premiação vai ser realizada no Palácio Real, em Bruxelas, e contará com as presenças do Rei Alberto II, da Familia Real, e de representantes de organizações não-governamentais e de universidades belgas.
A Fundação Rei Balduíno é composta por 26 personalidades belgas, como governadores de províncias, reitores e ex-ministros de Estado. Segundo Egídio Bruneto, até a semana passada existiam no Mato Grosso do Sul duas mil famílias de trabalhadores rurais vivendo em acampamento. Isso ocorre porque o Brasil é um dos poucos países do mundo que ainda não fez a sua reforma agrária, diz.


