Curitiba - Cerca de 2,5 mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) estão em Curitiba desde o início da semana, vindos em 53 ônibus de várias partes do Estado, para realizar uma semana de manifestações e negociações junto a órgãos dos governos federal e estadual, para cobrar agilidade no processo de reforma agrária no País.
No Paraná, os manifestantes reivindicam que 6 mil famílias que vivem acampadas em 70 áreas no Estado sejam assentadas. Eles pedem ainda que 24 mil famílias, que já estão assentadas em 350 áreas no Paraná recebam assistência técnica e melhor infraestrutura, como crédito, habitação e renegociação de dívidas.
Ontem, o presidente do Instituto de Terras, Cartografia e Geociências (ITCG), Amílcar Cabral, recebeu representantes do MST para tratar da cessão de cinco assentamentos administrados pelo Estado - Nove de Julho (Boaventura do São Roque), Abapan (Castro), Colônia Penal (Cascavel), Nova Esperança e Novo Paraíso (ambas de Pitanga) - para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
A reunião teve um caráter preparatório, pois na manhã de hoje os representantes do MST se reunirão com o governador Beto Richa para discutir como se dará o processo de transição. ''Manteremos diálogo com o movimento, pois o Estado tem interesse em agilizar a situação para beneficiar as famílias de assentados'', afirma Cabral.
Na segunda-feira, o grupo se reuniu na Praça 29 de Março, no bairro Mercês, e fez uma caminhada até a sede da Superintendência Regional do Incra, onde entregaram a pauta de reivindicações. Os sem-terra ainda participaram do lançamento de uma campanha contra o uso de agrotóxicos. Durante toda semana o grupo também promove uma Feira de Produtos da Reforma Agrária, Agricultura Familiar e Economia Solidária, na Praça 29 de Março.
De acordo com o Incra, desde o início do governo Lula, o órgão tem aumentado as vistorias de áreas para a instalação de projetos de reforma agrária. Em 2010 foram vistoriados 49.513 hectares contra 3.044 hectares em 2003. O total vistoriado desde 2003, segundo o Icra, foi de 336 mil hectares. Dessas áreas, foram obtidos 98 mil hectares para novos projetos de assentamento. Em 2010, afirma o Incra, foram assentadas 1.108 famílias no Estado.
Para 2011, os números são favoráveis à continuidade da execução do programa de reforma agrária no Paraná. Estão em andamento 69 processos de obtenção de áreas no Estado, somando 83 mil hectares. ''Caso o Incra possa obter essas áreas, podemos abrigar cerca de 4,6 mil famílias acampadas. Vamos continuar exercendo o poder de fiscalização do cumprimento da função social da terra'', afirma o superintendente do Incra no estado, Nilton Bezerra Guedes, em nota à imprensa.

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