MST reage e ocupa sede do Incra no PR
Dimitri do Valle
De Curitiba
Em represália à atuação de milícias armadas que feriram duas pessoas no domingo no município de Marilena, cerca de 250 sem-terra invadiram ontem à tarde a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Curitiba. A coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) anunciou ontem que os manifestantes passariam a noite no prédio. Eles se concentram no sétimo andar, onde está o gabinete do superintendente regional do Incra, José Carlos de Araújo Vieira.
Numa outra ação do MST que iniciou no sábado e terminou na manhã de ontem, cerca de 350 sem-terra chegaram de várias regiões do Estado para engrossar as fileiras do acampamento montado em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba, desde o dia 8 de junho deste ano. Agora, são aproximadamente mil pessoas morando no local. O MST vem usando o local como instrumento de pressão. O coordenador estadual do MST, Roberto Baggio, confirmou que se o governo do Estado não combater os grupos armados, o acampamento não será desmontado este ano.
A invasão da sede do Incra também foi uma demonstração de descontentamento. Um dos membros da coordenação estadual do MST, Ubiraci Stesko, disse que até o momento, nenhum dos 25 mil hectares anunciados pelo instituto para assentar 1,2 famílias saiu do papel. É muita lentidão, reclamou. Stesko culpa o governo estadual e o Incra de cederem às pressões da União Democrática Ruralista (UDR). A superintendente adjunta do Incra, Maria Rozalina Arend, garantiu que nenhuma outra superintendência regional do Incra foi tão rápida quanto a do Paraná.
Em nota à imprensa, a coordenação estadual do MST denunciou que cerca de 70 pistoleiros encapuzados participaram do despejo da fazenda Santa Rosa, em Marilena, no domingo pela manhã. Dois sem terra foram feridos à bala: Elmogêneo Antunes da Silva, 47 anos, foi atingido duas vezes na perna esquerda e Francisca Pereira dos Santos, 59 anos, recebeu um tiro nas costas. Os sem-terra afirmam ter identificado o comandante do grupo de capangas. Segundo o informe, trata-se de Henrique Palma Filho, conhecido como Guinho, que era administrador da Fazenda São José. A coordenação protestou ainda contra a atuação da Polícia Militar, que não teria ido atrás dos jagunços, e apenas proibiu que os sem-terra regressassem à fazenda.





