Valmir Denardin
Enviado a S. Miguel do Iguaçu
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) começou ontem a reforçar a ocupação na Fazenda Mitacoré, em São Miguel do Iguaçu. A medida é uma reação ao movimento que quer retirar os sem-terra da sede da propriedade para implantar no local a Universidade do Agricultor.
Às 17 horas, chegou à fazenda o primeiro ônibus com cerca de 40 pessoas. O grupo foi trazido de assentamentos do MST na região Oeste do Estado. Segundo a Folha apurou, outros ônibus deveriam chegar à propriedade ainda ontem.
O auxiliar administrativo Valmir Teixeira, de 35 anos, e sua mulher, Vera Lúcia Macedo Teixeira, de 31 - empregados da fazenda - denunciaram que foram ‘‘expulsos’’ da área pelos sem-terra. ‘‘Eles chegaram a colocar um galão de gasolina ao lado da nossa casa’’, disse. Na última quarta-feira, o casal abandonou a propriedade, onde trabalhou durante 13 anos, e se abrigou, com os três filhos, na casa de parentes, em São Miguel do Iguaçu.
Ontem, o casal relatou a situação em uma reunião do grupo que defende a implantação da Universidade do Agricultor na fazenda. Quando falava com o deputado estadual Irineu Colombo (PT), Vera Lúcia chegou a passar mal. Ela e o marido choravam. Segundo eles, os sem-terra fazem ‘‘terrorismo’’ tentando expulsar as 17 famílias que permanecem no local.
A reportagem da ‘Folha’ tentou ouvir líderes do acampamento, mas foi impedida de entrar na fazenda. O grupo que defende a criação da Universidade do Agricultor elaborou uma carta, que será enviada a autoridades estaduais e federais. Com 1.098 hectares, a Mitacoré é patrimônio da União. O movimento regional defende que 718 hectares sejam usadas para assentamento de sem-terra e os outros 380 - incluindo a sede, com casas, silos e máquinas agrícolas- , destinados ao projeto de pesquisa.
As 70 famílias de sem-terra que ocuparam, no início da semana, a Fazenda Santa Terezinha, em Conselheiro Mairink, ocuparam ontem parte da sede da fazenda e expulsaram o caseiro e sua família do local. Eles também tomaram três armas (um revólver calibre 38 e duas espingardas) que estavam em poder do caseiro e entregaram ao comando da PM em Ibaiti. Os sem-terra alegam que expulsaram o caseiro, cujo nome eles não souberam informar, porque ele resistiu à ocupação da sede.

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