MST reage à postura de Aníbal
Israel Reinstein
De Curitiba
O líder estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Roberto Baggio, considerou como provocativas as declarações do presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL). O pefelista ameaçou retirar os manifestantes acampados em frente ao Palácio Iguaçu, na sua interinidade na próxima semana. Neste período, Jaime Lerner estará na Argentina. Para Baggio, Khury estaria fora de sintonia com a realidade do momento, que estabelece negociações entre governo estadual e sem-terra.
Baggio entendeu que Khury extrapolou ao dizer que vai retirar o acampamento, caso consiga uma decisão judicial favorável. Estamos em frente ao Palácio justamente para nos proteger de milícias armadas e da violência, numa manifestação pacífica. Mas o coordenador do MST advertiu que se a política de diálogo mudar, os acampados estão dispostos a transformar o local em um campo de guerra.
O presidente da Assembléia, Aníbal Khury, disse que apenas irá cumprir o que determina a lei. O pefelista entende esta postura como pulso firme, condição que ele disse não existir em Lerner. A Folha não conseguiu uma resposta do governador sobre o assunto.
Apesar de aparentemente aceitar o conflito com Khury, o MST vai tentar antes barrar na Justiça as ações que solicitem a reintegração de posse da praça invadida. Os advogados estarão atentos, avisou o advogado da Comissão Pastoral da Terra, Darci Frigo.
Ontem à tarde, os acampados estavam esperando uma resposta do governo estadual ao que apresentaram na reunião. O acampamento permanece até que a nossa pauta seja atendida, afirma Baggio. Ontem, os acampados continuavam a construir as barracas de madeira, num total de 15, que vão abrigar 600 pessoas. Foram os barracões que provocaram a revolta de Aníbal e da bancada ruralista.





