MST questiona os números
Emerson Cervi
De Curitiba
Lideranças do MST questionam os números apresentados pela superintendência do Incra, no Paraná. Segundo um dos coordenadores do MST no Estado, Ireno Prochnov, na gestão de José Carlos de Araújo Vieira foram apenas 70 novos assentados. Os números que eles estão dando são de regularizações de processos antigos, que foram iniciados nas gestões da Maria de Oliveira e Petrus Abi Abib, garante.
Segundo o líder do movimento, a superintendência do Incra deveria considerar apenas os processos iniciados neste ano como novos assentamentos. Se fizesse isso, constataríamos que apenas as 70 famílias do assentamento São Jorge, no município de Nova Cantu, são da gestão do atual superintendente. Em agosto, o ministro Raul Jungmann, da Política Fundiária, prometeu o assentamento de 4 mil famílias no Paraná neste ano. Do total, 3 mil seriam pelo sistema de desapropriações e o restante através do programa Banco da Terra.
Para cumprir as metas estabelecidas pelo ministro, o Incra teria que assentar cerca de 1,5 mil famílias por mês entre novembro e dezembro. Jungmann também garantiu que a prioridade nos assentamentos seria para as 645 famílias que foram desalojadas nas desocupações de áreas promovidas pela Secretaria de Estado da Segurança Pública entre abril e maio. Até agora todas essas famílias estão em acampamentos, uma parte delas em frente ao Palácio Iguaçu, esperando as áreas definitivas, provando que o número de assentamento apresentado pelo Incra não é verdadeiro, garantiu Prochnov.
O programa Banco da Terra, que ao invés da desapropriação prevê a compra de áreas pelos sem-terra com recursos de financiamento federal, ainda não foi inaugurado no Paraná. No início do mês o secretário da Agricultura, Antonio Poloni, disse que 350 famílias paranaenses seriam incluídas no programa nos próximos dois meses. O ministro promete assentar um mil, o secretário reduz o número para 350 e depois falam que o MST está descumprindo os compromissos.
Na reunião do dia 27, os sem-terra esperam a apresentação de áreas para assentamento imediato. O superintendente diz que já tem 40 mil hectares para cumprir as metas, mas queremos propriedades negociadas, onde o assentamento é imediato e não apenas promessas, exige Prochnov. Só com o cumprimento das metas estabelecidas pelo ministro o MST concorda em levantar o acampamento.





