A Polícia Militar de Quedas do Iguaçu (165 km a leste de Cascavel) acredita que é possível um confronto entre o grupo que invadiu a Fazenda Araupel, terça-feira, e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que ocupa outra área da fazenda desde julho. ''Existe uma possível movimentação do MST para tirar esse pessoal, eles alegam que conseguiram a negociação da área para reforma agrária e não querem pessoas que não são do movimento'', afirmou o comandante da 2 Companhia de Polícia Militar, tenente Gerson Maurício Zucchi. No entanto, ontem, segundo o comandante, o clima era de tranquilidade na fazenda.
A coordenação regional do MST não confirmou a possibilidade de tentar tirar o outro grupo invasor da fazenda. ''Sabemos que a pretensão deles é ir para a área negociada e nós vamos protegê-la, mas não estamos tentando tirá-los de lá'', afirmou Claudemir Torrente, coordenador regional do MST. A área de 25 mil hectares, que o MST ocupa, está sendo negociada entre o governo federal e a Araupel para sediar um projeto de reforma agrária. No local estão 2,1 mil famílias, mas, segundo o MST, no espaço só é possível assentar 1,5 mil famílias.
O grupo de 120 trabalhadores rurais, que entrou na fazenda, não pretende sair da área, segundo a PM. ''Eles afirmam que não vão sair'', informou o tenente Zucchi. A invasão desse grupo veio ''reforçar'' a ocupação da família de Darci Gruba. Durante quase 10 anos, a família viveu no local e apenas no ano passado a Araupel conseguiu, através de uma ação de reintegração de posse, que eles deixassem o local.
Gruba teve um prazo de 10 dias determinado pelo juiz de Quedas do Iguaçu, Leonardo Ribas Tavares, para deixar o local. O prazo venceu ontem e a reintegração já foi determinada, mas segundo o juiz, que ontem estava em licença, o processo pode mudar com a entrada de mais pessoas na área.
Segundo a PM, os agricultores que entraram na fazenda foram enganados pelo Sindicato de Agricultores da região e pagaram R$ 200,00 para que o órgão intercedesse junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na disponibilização de terras para assentamento. O ''golpe'' acarretou a prisão de cinco pessoas. Ontem a Folha não conseguiu contato com o presidente do sindicato, José Tureta, e nem com Darci Gruba.

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