MST quer novo Canudos no Pontal
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sexta-feira, 23 de maio de 2003
Agência Estado 
Presidente Epitácio - O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Pontal do Paranapanema, José Rainha Júnior, disse ontem que o objetivo do movimento é formar um novo Canudos na região. Estamos retomando, 100 anos depois, o sonho de Antonio Conselheiro de dar a terra aos excluídos, afirmou em Presidente Epitácio, a 670 quilômetros de São Paulo.
No arraial de Canudos, em Belos Montes, sertão da Bahia, Conselheiro chegou a reunir 5 mil militantes no início do século 20. O místico e seus seguidores foram massacrados pelas tropas do governo da época. Na nossa luta, seremos vencedores, afirmou Rainha. Ele lançou ontem as bases do que será, segundo prometeu, o maior acampamento de sem-terra no Brasil, com 5 mil famílias.
Os barracos vão ocupar as duas margens de uma vicinal asfaltada, a SPV-35, que liga Epitácio a Teododo Sampaio. Serão utilizados cerca de 5 quilômetros dos acostamentos. A festa prevista para o evento teve de ser adiada para domingo por causa das fortes chuvas na região. A carne dos cinco bois abatidos para o churrasco foi guardada em freezers.
Rainha disse que a organização de grandes acampamentos resulta do novo cenário criado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva que, segundo ele, tem um compromisso com a reforma agrária. Ele nomeou para o Ministério do Desenvolvimento Agrário um ministro (Miguel Rossetto) que é nosso companheiro. Rossetto será convidado par visitar o acampamento.
A migração de famílias para o novo acampamento causou preocupação em Epitácio. O prefeito Adhemar Dassie (PSDB) disse que a cidade não tem estrutura para atender ao aumento na demanda de serviços de saúde. Vou precisar de ajuda dos governos estadual e federal. Ele disse que, embora seja a favor da reforma agrária, não concorda com os acampamentos.
A União Democrática Ruralista (UDR), entidade ligada aos fazendeiros, encaminhou ofício ao secretário da Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Abreu Castro Filho, pedindo ações preventivas e até mesmo repressivas para impedir as invasões de terras na região.


