MST quer maior prazo para deixar Fazenda Maria ¶ngela
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de agosto de 1999
Por José Maria Tomazela 
Piracicaba, SP, 20 (AE) - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) quer mais prazo para deixar a Fazenda Maria ¶ngela, em Piracicaba, a 170 quilômetros de São Paulo, invadida no dia 5 por 1,2 mil famílias. O despejo foi decretado no dia seguinte à invasão, pelo juiz Joel Valente, da 6ª Vara Cível, e será cumprido pelo 10º Batalhão da Polícia Militar, com base no município. O coordenador estadual do MST, Gilmar Mauro, disse hoje que um novo despejo vai agravar as condições de saúde das mais de 300 crianças que se encontram no acampamento. O mesmo grupo foi despejado quatro vezes, desde que se formou para invadir a Fazenda Engenho Dágua, em Porto Feliz, em 7 de fevereiro. "Cada mudança cria um clima de tensão prejudicial sobretudo às crianças." Há também oito gestantes no acampamento.
Segundo o líder do MST, o ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho, cuja ouvidoria é vinculada ao Ministério da Política Fundiária, manifestou-se de forma favorável ao adiamento do despejo.
Até hoje, no entanto, a PM continuava pronta para retirar as famílias da fazenda. Os sem-terra também não poderão continuar nas margens da Rodovia Samuel de Castro Neves (SP-147) em razão de um pedido de interdito proibitório formulado pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Parte dos barracos foi edificada na beira da estrada. Segundo Mauro, o grupo pretende ficar na região até que o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) conclua a discriminação de cerca de 3,5 mil hectares de áreas devolutas em Anhembi (SP). O MST pretende assentar as famílias nessas áreas. O dono da Fazenda Maria ¶ngela, Joseph Moutran, esclareceu hoje que não terá de fornecer alimentação aos policiais incumbidos do despejo, como havia informado. A estrutura de apoio à operação que lhe foi pedida é de 20 caminhões, dois ônibus e 80 homens.


