O MST e a CPT decidiram invadir a fazenda Concórdia, do vice-presidente da UDR, Guilherme Prata, caso o governo federal não tome medidas concretas em relação às 554 famílias cadastradas pelo Itesp para receber lotes em assentamentos no Estado.
A decisão foi tomada ontem em assembléia com cerca de 200 sem-terra no município de Tarabai (610 quilômetros a oeste de SP), o mesmo onde fica a fazenda, como parte do ‘‘Grito dos Excluídos’’. A mesma fazenda sofreu tentativa de invasão em janeiro. Na ocasião, Prata comandou reação armada que expulsou os sem-terra.
Ontem, o vice da União Democrática Ruralista não quis comentar a ameaça dos sem-terra. O presidente da entidade, Roosevelt Roque dos Santos, disse que a região do Pontal do Paranapanema (extremo oeste de SP) vive uma ‘‘situação de baderna, com complacência das autoridades’’.
João Mendes, coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e membro do MST, disse que os sem-terra ‘‘não abrem mão da Concórdia’’. Ele pretende solicitar do Incra a vistoria da área, de 500 alqueires, que ele acredita ser improdutiva. ‘‘A Concórdia só tem carrapicho e carrapato’’.
Na sexta-feira, o ministro de Assuntos Fundiários, Raul Jungmann, fez um apelo aos líderes do MST do Pontal do Paranapanema para que suspendam as invasões de fazendas e apostem na ação do governo. ‘‘Queremos que a reforma agrária evolua sem violência’’, disse o ministro em Teodoro Sampaio.

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