MST quer garantir mais assentamentos
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quinta-feira, 17 de abril de 1997
Das agências de Brasília 
O assentamento de 500 mil famílias em um ano e o aumento do valor das linhas de crédito a pequenos agricultores são algumas das reivindicações que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) quer levar hoje ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Indiferentes a possíveis restrições de pauta do Palácio do Planalto, os líderes do movimento prometem ainda deixar clara sua insatisfação com a política econômica do governo.
Faço questão de dizer pessoalmente ao presidente que a política neoliberal do governo prioriza bancos falidos e esquece causas sociais, afirmou o líder dos sem-terra, José Rainha Júnior. A expectativa, segundo ele, é que a audiência resulte na negociação de metas para desapropriação de latifúndios e assentamento de trabalhadores rurais. Esperamos vontade, determinação política; e nessa audiência o governo pode abrir canais, acredita.
O MST quer também o aumento de R$ 7,5 para R$ 17 mil no valor da linha de crédito oferecida pelo governo a cada família de pequenos agricultores. Vamos propor, ainda, que o governo se comprometa com a meta de aumento do crédito de plantio de R$ 1 mil para R$ 3 mil por família e a punição dos assassinos de trabalhadores rurais, afirmou Rainha. Achamos que dá pra fazer, disse o líder dos sem-terra.
O presidente Fernando Henrique Cardoso não tem novidades de impacto para anunciar aos representantes do MST, que serão recebidos hoje à tarde. Ele pretende ouvir as reivindicações e quer que os líderes também ouçam dele o que o governo já fez. O presidente admite uma revisão nas metas de assentamento, mas não falará em números. Fernando Henrique reconhece a dimensão do problema e está preocupado também com sua repercussão internacional.
A marcha dos sem-terra está sendo acompanhada por mais de 20 jornalistas de televisões e jornais estrangeiros. Hoje, o presidente terá de passar pelo constrangimento de receber o presidente do governo da Espanha (primeiro-ministro), José Maria Aznar, com os sem-terra acampados na Esplanada dos Ministérios e fazendo manifestações de protesto. Aznar será recebido na rampa do Planalto e depois participa de um banquete no Itamaraty.
A diplomacia brasileira está sendo criticada no Palácio do Planalto por não ter previsto a coincidência de datas entre a manifestação e a visita. Na verdade, assim como o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, o Itamaraty também menosprezou a resistência da marcha e o apoio que recebeu dos sindicatos e partidos de esquerda.
A posição do presidente é de extrema cautela, segundo seus auxiliares. Ele quer tirar do encontro de hoje qualquer caráter excepcional.A cautela do presidente é tanta que ele deixou a cargo do MST a elaboração do pedido de audiência, que vai incluir representantes de outros setores que nada têm a ver com o movimento, como professores, a CUT e representantes de desempregados. Eles também serão ouvidos pelo presidente.


