MST quer área para transferir acampados de Porto Feliz
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domingo, 14 de março de 1999
Por José Maria Tomazela 
Porto Feliz, SP, 15 (AE) - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) está pressionando o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para conseguir uma área a fim de abrigar cerca de mil famílias acampadas na Fazenda Engenho Dágua, em Porto Feliz, no interior de São Paulo. O despejo, autorizado por liminar concedida no dia 8, um dia após a invasão da fazenda, foi adiado para quarta-feira (17) de manhã pela juíza Daniela Botoliero Ventrice, atendendo a um pedido feito pelo MST.
Hoje, no fim da tarde, líderes do movimento foram à superintendência do Incra, em São Paulo, acompanhados pelo senador Eduardo Suplicy (PT) e se reuniram com o superintendente Luiz Moraes Neto, para tentar resolver o impasse. Segundo o líder Gilmar Mauro, a maior parte das mil famílias não têm para onde ir. Aquelas que tinham casa já deixaram o acampamento.
"Vamos deixar todas essas famílias, com crianças, na beira da estrada?", questionava Mauro. Segundo ele, muitos dos acampados estão dispostos a ocupar prédios públicos para pressionar o Incra. O problema, segundo o superintendente adjunto, Moyzés Schenker, é que não há área disponível na região. As terras que o instituto está arrecadando em Iaras, na região de Avaré, ainda não tiveram seu uso autorizado pela Justiça. Caso a desocupação não ocorra pacificamente hoje, o 40º. Batalhão da Polícia Militar de Votorantim fará o despejo. "Estamos prontos para essa operação", disse o comandante, coronel Salvador Mauro Romano.


