MST quer ampliar ocupação no BB
Da Redação
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) anunciou ontem que a partir de hoje estará intensificando as ocupações aos escritórios do Incra e agências do Banco do Brasil em todo o Estado. Eles estão reivindicando a liberação de recursos para as famílias assentadas que precisam de dinheiro para plantar a safra de verão. No Paraná, 15 mil famílias não podem plantar porque o banco não libera o dinheiro.
Roberto Baggio, líder estadual do MST, explicou que se os recursos não forem liberados de imediato, os assentados terão prejuízo com a safra de verão. Ontem foram ocupadas agências do BB de 17 cidades do Estado. O dinheiro, segundo Baggio, deveria ter sido liberado em agosto, mas por causa de mudanças nas regras da política de custeio agrícola do governo federal, estão bloqueados no BB. Cada família assentada deveria receber R$ 2 mil em verba de custeio, que seria utilizada na compra de sementes, adubos e outros insumos necessários para o cultivo de verão.
Um dos exemplos da falta de recursos para os assentados está em Pato Branco. De acordo com o MST, foram entregues 2,8 mil projetos para o custeio agrícola, mas o banco tinha recursos para atender somente 200 produtores. A proposta para hoje é intensificar as manifestações nas cidades-pólo, ocupando as agências regionais do banco. Segundo Baggio, trata-se de uma questão estratégica, uma vez que com a paralisação das regionais dezenas de agências do interior são afetadas.
Em Londrina, aproximadamente 100 pessoas impediram a abertura do banco ao público, às 11 horas. Uma comissão formada por lideranças estaduais reuniu-se com a superintendência por duas vezes durante a manhã, decidindo manter o bloqueio até o meio-dia, quando o acesso ao interior da agência foi liberado.
Por volta das 11h30, um novo grupo com cerca de 50 integrantes do MST chegou de São Martinho, distrito de Rolândia (25 quilômetros a oeste de Londrina). No meio da tarde, houve um princípio de tumulto, depois que dois ovos foram jogados, de um dos andares acima da agência, contra os manifestantes. Eles ameaçaram invadir o banco, mas foram impedidos por um cordão de isolamento feito por 12 políciais do Pelotão de Choque e do policiamento central. Cinco viaturas foram deslocadas para o local.
Segundo a coordenação do MST, ontem o movimento em frente às agências do Banco do Brasil ganhou a adesão de mais quatro Estados: Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. O superintendente-regional do Banco do Brasil em Londrina, José de Mesquita Filho, informou que esta semana deverão ser liberados os recursos para investimentos, através do Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar (Pronaf). O teto máximo, segundo ele, será de R$ 9,5 mil.
O Conselho do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) deverá se reunir hoje em Brasília para definir os valores dos recursos destinados aos assentados. Se tudo correr bem, vamos abrir a agência no próximo sábado para fazer as liberações, informou Mesquita.
Em Francisco Beltrão, os manifestantes decidiram interditar a agência de hora em hora. O gerente do banco, Roberto Mendes Rodrigues, liberou o espaço do estacionamento para que os agricultores montassem o acampamento.
Também em Querência do Norte (113 quilômetros a noroeste de Paranavaí), mais de 500 pessoas fecharam novamente a agência do BB, ontem. Eles chegaram à agência pouco depois das 10 horas, fecharam a entrada e impediram até a saída de clientes. (Silvana Leão, Jacir Walder, Giovani Ferreira, Marcos Zanatta)





