O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) promove hoje em Querência do Norte (113 km de Paranavaí), no Noroeste do Estado, uma manifestação contra as ações policiais no município. Na semana passada, seis fazendas foram desocupadas pelas polícias Militar e Civil. Cerca de 300 famílias tiveram que deixar as áreas. Elas foram transferidas provisoriamente para um assentamento do MST em Querência do Norte. Líderes do movimento denunciaram atos de violência cometidos pela polícia durante a remoção dos sem-terra. As acusações foram negadas pela Secretaria de Segurança Pública.
De acordo com o coordenador estadual do MST, Rogério Mauro, cerca de 4 mil pessoas são aguardadas para participar do ‘‘Ato contra a Violência e Pela Reforma Agrária’’, mas a coordenação regional no Noroeste acredita que número de participantes pode chegar a 10 mil. O ato público, que acontecerá na praça central da cidade, deve começar às 8 horas e terminar por volta das 22 horas.
O presidente nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Dom Tomás Balduíno, e quatro deputados federais do PT confirmaram presença no protesto. Rogério Mauro denunciou ontem que a polícia estaria se preparando para bloquear os acessos à cidade e impedir a chegada das famílias do MST de outras regiões para participar da manifestação.
‘‘Se isto for verdade, nossas autoridades estarão rasgando a Constituição, que em seu artigo 5º dá direito a reuniões públicas para protestar contra atos do governo’’, disse a advogada do MST em Querência do Norte, Cristiane de Lima Martins. Ela comunicou à Delegacia de Polícia Civil ontem à tarde, oficialmente, a realização do ato público. Reunião será realizada ‘‘pacificamente, sem armas’’, diz o comunicado.
No presídioA comitiva formada por Dom Tomás Balduíno e os deputados petistas Luci Choinaski, de Santa Catarina, padre Roque Zimermann, do Paraná, Adão Preto, do Rio Grande do Sul, e Antônio Carlos Biscaia, do Rio de Janeiro, além de ir a Querência do Norte, prestará solidariedade a 16 sem-terra que estão no presídio de Paranavaí. Eles foram presos durante as operações de desocupação na semana passada. O MST considerou que as prisões foram ‘‘políticas’’.
O secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, rebateu que as prisões obedeceram critérios jurídicos como ‘‘formação de quadrilha, resistência a desocupação e porte de ilegal de arma’’.
O coordenador Rogério Mauro apresentou ontem mais uma acusação contra os policiais em Querência do Norte. Segundo ele, o engenheiro agrônomo Arilson Sausen e a estudante secundarista Sollange Inês Engelmann, ambos militantes do MST, foram detidos e ameaçados por policiais na terça-feira quando colhiam assinaturas em um abaixo-assinado. O documento defendia a retirada do efetivo policial do município e tinha a finalidade de protestar contra a violência que os sem-terra sofreram.
Mauro disse que ‘‘policiais à paisana consumiram bebida alcoólica em bares antes de participar da detenção dos militantes do MST’’. Conforme ele, os policiais tiraram uma cópia da relação de nomes do abaixo-assinado, que continha 800 assinaturas, e só depois liberaram os dois. ‘‘Recolher assinaturas na rua não é crime e não está no Código Penal’’, protestou o coordenador do MST.
O Senador Eduardo Suplicy (PT-SP) estará em Ponta Grossa no domingo para visitar os seis sem-terra presos durante a desocupação da Fazenda Santa Maria em Ortigueira, no dia 29 de abril.

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