Cerca de 150 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) impediram ontem a cobrança do pedágio na praça da BR-277, entre São Miguel do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu. As praças ficaram aproximadamente uma hora sem cobrar as tarifas.
O Movimento, que contou com o apoio de entidades como Comitê dos Direitos Humanos e Sindicato dos Servidores Municipais de Foz do Iguaçu, estava de ‘‘luto’’ protestando contra o assassinato do líder do movimento Antonio Tavares Pereira, ocorrido na última terça-feira em Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba (leia na página 7).
O Grupo de Operações Especiais (GOE) do 14º Batalhão de Polícia Militar de Foz impediu a paralisação da cobrança de pedágio e conseguiu entrar num acordo com as lideranças do movimento. ‘‘Vocês podem ficar o tempo que quiserem, mas de forma pacífica’’, diz Marcio Skovroniski, 2º tenente do GOE.
Lideranças do movimento prometeram continuar com as manifestações até que ‘‘apareçam’’ pessoas desaparecidas no choque de sem-terras com policiais na cidade de Lapa. Segundo Gilberto Brietzhe, um dos coordenadores e ocupante da Fazenda Mitacoré, há possibilidade de nova paralisação.
Sem efetivo Em Cascavel, cerca de 500 sem-terra ocuparam ontem a praça de pedágio da BR-277 e liberaram as catracas para os carros enquanto gritavam palavras de ordem contra o governo do Estado. O protesto também foi contra a ação da Polícia Militar (PM), que na última terça-feira.
A PM não tentou desalojar os manifestantes porque o efetivo em Cascavel não é suficiente, segundo relatou o comandante do 6º BPM, tenente-coronel Amauri de Lima, que esteve no local para avaliar a situação. O comandante revelou à Folha que inexistia inclusive a possibilidade de recrutar soldados da região. É que a PM está mantendo cerca de 400 homens em Quedas do Iguaçu (Sudoeste), onde há grande tensão. Segundo ele, há informações de que os sem-terra daquela área (mil famílias em apenas uma fazenda ocupada) podem ocupar rodovias, prédios públicos e inclusive a hidrelétrica de Salto Osório.
(Participou Paulo Pegoraro, de Cascavel)

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