Dimitri do Valle
De Curitiba
A atuação de milícias armadas na desocupação de fazendas no Estado deflagrou ontem em Curitiba um protesto do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em frente ao Palácio Iguaçu. Cerca de 800 pessoas se concentraram nas portas de acesso da sede do governo paranaense. Temendo uma invasão, a segurança do palácio determinou o fechamento da entrada principal. O governador Jaime Lerner (PFL) preferiu não polemizar com o ato. ‘‘É um direito democrático de todos os segmentos da sociedade se manifestarem’’, disse Lerner, por meio de sua assessoria. O governador pediu ainda que o MST cesse as invasões, principalmente de áreas produtivas, já que o Incra tem oferecido alternativas viáveis para os sem-terra.
Em nota à imprensa, o MST responsabilizou a Secretaria da Segurança Pública de omissão por permitir as ações dos fazendeiros, que segundo os sem-terra, estariam sendo apoiadas pela União Democrática Ruralista (UDR). A desocupação da fazenda Contestado, em Itaúna do Sul, por parte da Polícia Militar, também foi alvo de críticas. ‘‘Quarenta famílias foram novamente despejadas, com violência contra os acampados e a prisão de nove pessoas. São prisões arbitrárias e de cunho político. Com esta ação as famílias de agricultores foram jogadas à beira da estrada, impedidas de lutar por um pedaço de chão’’, informou o comunicado do MST.
Segundo a superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a fazenda Contestado ‘‘é considerada tecnicamente produtiva’’. A área tem 769 hectares e estava ocupada pelos sem terra desde o dia 9 de outubro.

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