O Movimento dos Sem Terra (MST) mobilizou ontem milhares de pessoas por todo o País em atos e marchas contra a política agrícola do governo federal, organizados com outras seis entidades de movimentos rurais. As manifestações devem culminar hoje, Dia Nacional do Trabalhador Rural, com a realização de protestos e debates públicos em mais de uma centena de municípios do País.
Hoje, em muitos locais, os atos dos movimentos rurais somam-se e confundem-se com o Dia do Basta, uma série de manifestações contra a corrupção, promovidas pelo Fórum Nacional de Lutas, que tem à frente a Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Em João Pessoa (PB), cerca de 2.200 militantes do MST acamparam ontem diante da Assembléia Legislativa. Em Brasília, o 1º Congresso da Juventude Rural, que
começou ontem, acabou incluído nos protestos de amanhã. Na programação um dos principais dirigentes do MST, João Pedro Stedile, apresentará um projeto popular para o Brasil.
No Paraná, o MST e outros movimentos rurais iniciaram dezenas de marchas em direção a dez cidades consideradas pólos regionais. Em Maringá, pelo menos 300 sem-terra da região Noroeste do Estado devem participar hoje da mobilização. Pela manhã o grupo, que representa mais de 3 mil famílias de sem-terra acampados e assentados na região, seguirá em passeata da Universidade Estadual de Maringá (UEM) até a área central.
Na Praça Napoleão Moreira da Silva, será montado um acampamento. ‘‘A população não precisa se preocupar porque vamos ficar na praça apenas durante o dia, para manter um contato com as pessoas’’, avisa um dos coordenadores do MST na região, Pedro da Silva.
Na praça haverá um ato público em defesa da agricultura familiar. Silva diz que o MST quer conscientizar a comunidade de que os pequenos agricultores, que são os responsáveis pela produção de alimentos, correm risco de perder a terra. ‘‘Nossa luta não é apenas pela terra, mas por condições para os pequenos sebreviverem’’, disse.
Da praça, os sem-terra pretendem percorrer escolas, igrejas e associações de bairros de Maringá, Sarandi e Paiçandu. Os coordenadores do MST pretendem mostrar ‘‘aos interessados’’ a realidade da agricultura familiar e da reforma agrária.
Em Londrina, cerca de 200 integrantes do MST vão ficar acampados, até sexta-feira, no terreno da Prefeitura em frente ao Pronto Atendimento Infantil (PAI), no centro de Londrina. Segundo José Damasceno, da coordenação estadual, o acampamento vai abrigar assentados e acampados de Florestópolis, Bela Vista do Paraíso, Primeiro de Maio, Tamarana, Ortigueira e Arapongas.
Está previsto para hoje um protesto no Calçadão em frente ao Banco do Brasil, às 15 horas, e uma celebração ecumênica, às 18 horas.
Além da falta de créditos, os movimentos rurais criticam a falta de programas de assistência técnica e de preços mínimos que torne viável a subsistência dos pequenos produtores, além de condenar a abertura do mercado às importações. (Colaboraram Marcos Zanatta, de Maringá, e Telma Elorza, de Londrina)

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