Diamante do Oeste - A morosidade na negociação entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o empresário cascavelense Rovílio Mascarello, para compra da Fazenda Comil, resultou em um protesto na tarde de ontem por parte de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Além deste fato, o atropelamento e morte de uma criança de quatro anos há dez dias aumentou o clima de revolta entre as 86 famílias acampadas na área.
Os sem-terra ocuparam as margens da Rodovia Coluna Prestes (PR-488) há um ano e permaneceram até uma semana atrás do lado de fora da propriedade. Essa teria sido uma das condições impostas pelo Incra para negociar a compra da fazenda de 3,3 mil hectares e a criação de um assentamento definitivo no local. Depois que a criança foi atropelada, os líderes do movimento decidiram invadir a fazenda.
O protesto que reuniu cerca de 300 pessoas foi iniciado no local onde o menino foi atropelado. Após realizarem um ato religioso, os membros do movimento caminharam até o município de Diamante do Oeste (80 Km a oeste de Cascavel), em um trecho de seis quilômetros, onde realizaram um manifesto público de repúdio ao Incra em frente a igreja católica.
Um dos líderes do movimento, Ismael de Lima, lembrou que há um ano quando invadiram pela primeira vez a Fazenda Comil, houve uma reunião com o superintendente do Incra no Paraná, José Carlos de Araújo Vieira, que prometeu uma solução para o problema num prazo de 60 dias. ''Se já estivéssemos dentro da fazenda, o menino não tinha morrido'', reclama o sem-terra, lembrando que outras três crianças já foram atropeladas na rodovia.
A decisão das famílias de invadirem a fazenda não deverá prejudicar o processo de compra da área, já que o proprietário Rovílio Mascarello não colocou qualquer obstáculo para que isso acontecesse. Ele já havia, inclusive, cedido um pedaço de terra para que as famílias plantassem culturas de subsistência. Ismael de Lima diz que grande parte da fazenda será utilizada para criação de gado, pois o relevo irregular impede o plantio.
José Carlos Vieira disse que entre o Incra e o empresário já está ''tudo resolvido'', mas que por se tratar de uma compra por parte do governo federal, o processo ''é mais moroso por exigir um grande zelo''. Ele preferiu não falar em valores, mas a informação é de que Mascarello estará recebendo cerca de R$ 7 milhões pela área. ''Em poucos dias a situação será resolvida'', conclui.

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