Piratininga, SP, 09 (AE) - "Nós não vamos sair dessa área porque ela está abandonada, tem muitas dívidas com o Estado e o INCRA e ela serve para fazermos a reforma agrária que precisamos", disse hoje Adailton Manoel da Silva, um dos líderes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, que ocupa a Fazenda Santo Antônio, de 320 alqueires, no distrito de Brasília Paulista. Ele diz já ter avisado a polícia de que o grupo não atenderá à ordem de reintegração emitida pelo juiz Luiz Roberto Fink Jr., de Piratininga, e lembra que a topografia do local oferece condições para a resistência física. "Não vamos arredar pé", avisa.
Um grupo de 20 famílias recrutadas pelo MST invadiu a Fazenda Santo Antonio no dia 12 de maio e dois dias depois a proprietária, Cleide de Barros Peres, conseguiu a ordem de reintegração, justificando que ali mantém uma criação de cavalos. No início da semana, o MST levou para ali mais 300 famílias que foram retiradas do antigo horto da Fepasa, em Bauru e, agora, articula a resistência. Silva disse que alguns dos acampados já sofreram ameaças de morte e pede a intervenção do INCRA para resolver a questão.
O tenente-coronel Antônio Sérgio Marsola, comandante do 4º BPM/I, confirmou hoje que a Polícia Militar já monta um esquema para o cumprimento da ordem judicial. "Nós estamos trabalhando com muita cautela e vamos tentar ao máximo evitar o confronto, mas o que a Justiça nos requisita é o uso da força para fazer cumprir sua ordem, e assim será feito", disse o militar, destacando que todas as argumentações do caso devem ser feitas judicialmente e não com a polícia, que apenas cumpre uma ordem.

mockup