MST pressiona Incra por desapropriação
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quinta-feira, 20 de julho de 2006
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Cerca de 60 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), incluindo crianças, montaram acampamento ontem em frente à Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Curitiba. Os manifestantes exigem a desapropriação de uma fazenda em Foz do Jordão (115 km ao sul de Guarapuava), que já foi vistoriada para fins de reforma agrária.
Segundo o MST, em janeiro de 2003 mais de 300 famílias acamparam em frente à fazenda. Após anos de polêmicas e conflitos, apenas 48 famílias permanecem no local. O MST informou que a fazenda foi vistoriada pelo Incra quatro vezes. De acordo com o movimento, nas duas primeiras vezes o laudo apontou que a propriedade seria improdutiva. Na terceira vistoria, foi apontado que a fazenda seria produtiva. O MST contesta esse resultado.
''O mapa não traduziu a realidade da fazenda. No documento, constava que havia uma grande área de plantio de pinus no local, o que não é verdade. Nós não acompanhamos essa vistoria e não tivemos acesso ao laudo'', disse Antônio Carlos Moreno, integrante do MST. Ele afirmou que no início do ano foi feita uma quarta vistoria na fazenda. O MST cobra o resultado da análise.
O Incra apresentou informações diferentes. Segundo o instituto, a fazenda foi vistoriada pela primeira vez em 2002, e o laudo apontou que a área seria improdutiva. Entretanto, a Procuradoria do Incra forneceu parecer desfavorável ao assentamento, alegando que havia uma grande área de reflorestamento na propriedade. Ainda segundo o instituto, a fazenda não pôde ser vistoriada até o final do ano passado, porque havia sido ocupada em 2003. Após o vencimento do prazo, houve nova vistoria, cujo laudo ainda não saiu.
Os sem-terra se reuniram com representantes do Incra no final da tarde. No encontro, ficou decidido que no dia 2 de agosto será anunciada uma definição sobre a área.


