MST pressiona e polícia transfere presos
MST pressiona e polícia transfere presos
Temendo invasão de delegacia por sem-terra, para libertar saqueadores, delegada pede ajuda à PM e agentes federais
Agência Folha
Dida Sampaio/Agência EstadoSob escoltaLíderes do MST mostram camiseta do movimento, no Presídio de Segurança de Juazeiro (BA). Eles saquearam armazém do governo anteontem em CuraçáPMs escoltaram
saqueadores, detidos
anteontem em Curaçá,
para Juazeiro (BA) Com escolta policial, os seis saqueadores que participaram anteontem da invasão à loja Cesta do Povo, em Curaçá (BA), foram transferidos no início da madrugada de ontem para a delegacia de Juazeiro (BA). Após a chegada dos saqueadores, a delegada Celi Silva pediu reforço policial para o município.
Havia comentários na cidade dando conta que 200 sem-terra estariam se deslocando para Juazeiro para libertar os presos, disse a delegada. Anteontem, cerca de cem sem-terra destruíram as instalações do distrito policial de Itamotinga, a 60 quilômetros de Juazeiro. Os sem-terra suspeitavam que os presos estivessem detidos no local.
No início da manhã de ontem, tropas da Polícia Militar e agentes da Polícia Federal chegaram ao município (500 quilômetros de Salvador). Anteontem pela manhã, em Curaçá (593 quilômetros de Salvador), cerca de 200 agricultores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) levaram cerca de 800 quilos de alimentos da Cesta do Povo, estabelecimento comercial administrado pelo governo baiano.
À tarde, seis saqueadores, que estavam transportando 30 quilos dos alimentos em um barco, foram presos e autuados em flagrante. A maioria dos saqueadores da Cesta do Povo de Curaçá ocupa uma fazenda em Santa Maria da Boa Vista (PE), cidade que fica do outro lado da margem do rio São Francisco. Ontem à tarde, o deputado federal Domingos Leonelli (PSDB-BA) encaminhou uma carta ao presidente interino da República, Antonio Carlos Magalhães, contestando a disposição manifestada por ACM de prender os saqueadores. Ninguém de bom senso poderia esperar de autoridades constituídas apoio a saques ou a qualquer ato que transgrida a lei. Entretanto, tenha a certeza de que não será com a repressão policial, nem mesmo com medidas judiciais, que se resolverá o problema da fome, da falta de trabalho, do desespero de nossos compatriotas nordestinos, escreveu Leonelli.
Ontem, cerca de 400 trabalhadores rurais tentaram saquear o mercadinho do prefeito de Aparecida (400 quilômetros de João Pessoa), José Alves de Sousa (PSD). A ameaça foi comandada pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais, que não tem vinculação com o MST. O saque foi impedido pelo próprio prefeito, que fechou o mercadinho e pediu reforço à Polícia Militar. Esta foi a quarta tentativa de saque ocorrida em Aparecida este ano.
O comando da PM na cidade vizinha enviou 20 policiais para garantir a ordem. Anteontem pela manhã, outros 150 trabalhadores rurais invadiram a sede da Prefeitura Municipal de Aparecida para pressionar o prefeito a distribuir cestas de alimentos e vales de R$ 50,00 em dinheiro. Eles acamparam dentro da prefeitura, de onde só saíram no início da noite. Os trabalhadores rurais passaram a noite na praça em frente ao prédio da prefeitura. Ontem à tarde, depois de muitas negociações na presença do prefeito e da PM, os manifestantes aceitaram a promessa de distribuição de 502 cestas de alimentos a partir de hoje e deixaram a cidade.





