O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Paraná pretende realizar hoje uma gigantesca manifestação em Espigão Alto do Iguaçu, no Sudoeste do Estado. De acordo com as lideranças, o protesto será contra a violência policial, prisões arbitrárias e despejos indevidos de acampados.
Segundo o coordenador regional Jaime Callegari, cinco mil sem-terra de vários acampamentos e assentamentos do Sudoeste e Centro-Oeste serão deslocados para a cidade – que tem 1,5 mil habitantes, dos 5,4 mil do município. O local da manifestação é o ‘‘olho do furacão’’ em que se transformou a questão fundiária no Estado, a partir de vários episódios.
No início da semana, 36 famílias sem-terra foram despejadas pela PM de uma fazenda, no município, na qual estavam desde 1986, e que havia sido desapropriada em 95 pelo Incra. Os proprietários não aceitaram valores propostos na indenização e recorreram ao Supremo Tribunal Federal, conseguindo reintegrar-se na posse, o que provocou revolta entre sem-terra de toda a região.
Nove lavradores e um coordenador, Natalino Alves dos Santos, foram presos (condição ainda mantida), nove deles enquadrados na Lei de Segurança Nacional (LSN), sob alegação de perturbação à ordem social. ‘‘Foram prisões absolutamente políticas’’, afirma Jaime Callegari.
No vizinho município de Quedas do Iguaçu, em terras da empresa Araupel, está o maior acampamento em todo o estado, com aproximadamente 1,2 mil famílias. O MST tem reafirmado que, se a PM tentar o despejo (já há ordem judicial para isso), haverá enfrentamento. ‘‘Lamentavelmente, vai correr sangue’’, afirma a advogada do movimento Cristiane de Lima Martins.
A PM vinha mantendo aproximadamente 400 homens de prontidão em Quedas do Iguaçu. Ontem o contingente foi aumentado com pessoal deslocado de várias regiões, inclusive do Norte do estado. A coordenação do MST está em alerta para a possibilidade de tentativa de despejo.
Outro entendimento, é de que o reforço do contingente esteja relacionado com a manifestação programada para hoje, de consequências imprevisíveis. O protesto só não ocorrerá se continuarem as chuvas registradas ontem em toda a região, o que dificultaria o deslocamento dos sem-terra para Espigão Alto do Iguaçu.
O MST tentava confirmar a presença de suas lideranças nacionais, do senador paulista Eduardo Suplicy (PT) e outros políticos que apóiam o movimento. Até o início da noite, advogados dos sem-terra não tinham qualquer perspectiva para a soltura dos dez presos, que foram transferidos para o minipresídio de Cascavel.
O Ministério Público sugeriu o pagamento de fiança individual de R$ 500,00, mas a Justiça fez várias exigências para se pronunciar.
Ontem pela manhã, a PM cumpriu ordem de reintegração de posse na Fazenda Trento, no município de Lindoeste (50 quilômetros ao sul de Cascavel), onde estavam desde o final do ano passado dezenove famílias de sem-terra. Não há informação de violência de policiais contra os lavradores, mas os veículos de comunicação não puderam acompanhar a ação nos momentos em que havia maior risco.

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