MST prepara onda de invasões
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segunda-feira, 30 de outubro de 2000
Agência Estado De Brasília 
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ameaça deflagrar, a partir desta semana, em todo o País uma nova ofensiva contra o governo. Entre as ações programadas, estão previstas a invasão do Ministério da Fazenda, em Brasília, a ocupação da fazenda Córrego da Ponte, em Buritis (MG), de propriedade dos filhos do presidente Fernando Henrique Cardoso, e a intensificação de ocupações de terras e de prédios públicos, segundo o líder do MST em Pernambuco, Jaime Amorim. O MST também teria mapeado agências bancárias de todo o País para ocupá-las.
Desta vez, a reação do MST é contra a série de denúncias de irregularidades e cobrança de pedágios pelo movimento e pelo não atendimento da pauta de reivindicações pelo governo. Mesmo afirmando que as lideranças estão mobilizadas em todo o País, Amorim não revelou como será feito o protesto ou em qual dia será deflagrado.
A estratégia das lideranças de não detalhar as manifestações tem o objetivo de evitar a articulação do governo. O MST quer evitar o que ocorreu no mês passado na ameaça de invasão da fazenda Córrego da Ponte, de propriedade dos filhos do presidente. Os sem-terra anunciaram a ocupação da propriedade e, ao chegarem ao local, a fazenda já estava sob proteção do Exército e da Polícia Federal. Para evitar esse tipo de ação, o MST decidiu agir primeiro em vez de divulgar suas ações.
Ontem, líderes do MST fizeram reuniões com assentados de vários Estados para definir a ofensiva contra o governo. Uma das metas acertadas é mobilizar cerca de 250 mil trabalhadores em todo o País. Segundo Amorim, um grupo de sem-terra deverá fazer manifestações em Brasília, mas ele não revelou quando a acão será feita. O governo que aguarde o que vem por aí, disse Amorim, numa demonstração de que o MST vai radicalizar suas ações.
O MST alega que reagir contra o governo foi a única saída que restou ao movimento após o fracasso da negociações que vinham sendo coordenadas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (Conic) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). daqui para frente, a culpa pelo que vier a acontecer é do governo, alertou Jaime Amorim.
Além do fracasso no acordo, o MST decidiu reagir por sentir-se criminalizado com divulgação das sindicâncias feitas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Secretaria Federal de Controle que comprovaram a cobrança de pedágios de 3% a 11% de créditos da reforma agrária por parte de cooperativas ligadas ao MST.
A ofensiva do MST, segundo Amorim, serviria também para exigir mais respeito do governo para com o movimento. Não dá mais para aceitar essa política de perseguição, avisa ele. Amorim avalia que a estratégia do governo de tentar desmoralizar o MST para esconder seus próprios escândalos não têm surtido os efeitos esperados. A sociedade já percebeu que os sem-terra estão sendo usados como bode expiatório, afirma Amorim.
Na avaliação de coordenador do MST, as atitudes do governo em relação ao movimento são terroristas e, em vez de prejudicar o movimento, estão causando um sentimento de revolta entre os trabalhadores. O líder do MST afirmou que os sem-terra vão invadir terras, ocupar prédios e bancos na tentativa de mostrar à sociedade que o governo está mentindo em relação ao movimento.


