Campinas, SP, 23 (AE) -O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) prepara uma série de manifestações em todo o País para lembrar, no dia 17 de abril, o massacre de 19 trabalhadores sem-terra em Eldorado dos Carajás, no Pará. Eles foram mortos em confronto com a Polícia Militar em 1996. Segundo o líder do MST João Pedro Stedile os integrantes de assentamentos e ocupações deverão seguir para o município mais próximo e protestar em frente ao fórum.
"Até hoje a Justiça não puniu nenhum culpado", disse Stedile. Segundo ele, o protesto também deverá contar com o apoio de organizações de trabalhadores rurais em outros países. "Vamos para a frente das embaixadas do Brasil cobrar Justiça." A data, segundo ele, coincide com o Dia Internacional da Luta Camponesa. "Os trabalhadores rurais estarão mobilizados no mundo todo".
De 10 a 17 de abril o MST fará a Jornada Nacional pela Reforma Agrária. "As famílias de assentados ou de ocupações seguirão para as cidades mais próximas, onde distribuirão panfletos e farão doações de produtos agrícolas", disse. "Será um movimento pela conscientização sobre a necessidade da reforma agrária."
Palestra - Stedile falou hoje para cerca de mil jovens do MST, que participam do 2ºCurso sobre Realidade Brasileira, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Com o tema "Reforma agrária e movimentos camponeses", o líder do movimento fez um relato histórico sobre a reforma agrária em diversos países. "Esses jovens vão multiplicar nossas idéias e ajudara a mudar o Brasil", disse.
Entre os participantes do curso, está José Carlos Moreira, de 28 anos, uma das vítimas do massacre de Eldorado dos Carajás. "Fiquei cego do olho direito e minha cabeça dói até hoje", conta Moreira, que foi baleado no confronto com a PM e ainda está em tratamento no Hospital de Clínicas da Unicamp. Segundo ele, além dos 19 mortos, outras 60 pessoas ficaram com sequelas. "Espero que a Justiça puna os culpados", disse.

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