MST prepara jornada de marchas e invasões
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de janeiro de 2009
Agência Estado 
Sorocaba - O Movimento dos Sem-Terra (MST) prepara uma jornada de marchas e invasões em todo o País para comemorar os 25 anos de existência que se completam este mês. Foi em janeiro de 1984 que o movimento definiu a bandeira de luta pela terra e pela reforma agrária em Cascavel, no Paraná. Em nota divulgada pela coordenação nacional, o MST convoca os militantes para a ação. Não haverá maneira e lugar melhores para comemorarmos nosso 25 anos do que com lutas nas ruas e ocupações de latifúndios, diz a nota.
As coordenações estaduais do movimento terão autonomia para definir as formas de mobilização. As datas não são anunciadas para evitar uma possível repressão. O objetivo é recolocar a questão agrária em pauta na sociedade, já que, segundo a coordenação nacional, o governo federal abandonou a reforma agrária. Mais do que nunca temos a convicção de que a única reforma agrária possível é aquela feita pelo povo, diz a nota. O MST considera que a crise econômica internacional expôs a fragilidade do projeto neoliberal e favorece a sua luta. Este momento de fragilidade, se transformado em bandeiras de luta e mobilizações de massa, poderá ser uma oportunidade histórica para a classe trabalhadora.
O integrante da coordenação nacional, José Roberto Silva, considera que, nos últimos seis anos, a reforma agrária parou. Embora o governo divulgue ter assentado 448 mil famílias, apenas 150 mil foram efetivamente assentadas, segundo ele. Há uma grande propaganda sobre a quantidade de assentamentos, mas o que o governo tem feito é o mesmo processo que outros governos fizeram, maquiando números. Em 2008, de acordo com o líder, não foram atingidos 10% da meta estabelecida pelo próprio governo. Temos mais de 100 mil famílias acampadas, infelizmente muitas estão há mais de dez anos debaixo da lona.
De acordo com Silva, o governo tenta desmobilizar os acampados em troca de política compensatórias, como o Bolsa-Família, mas mesmo assim elas continuam acampadas e pressionando para que sejam assentadas.


