MST prepara invasões em áreas isoladas
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sexta-feira, 15 de agosto de 1997
Agência Folha Presidente Prudente 
As ameaças da União Democrática Ruralista (UDR) de impedir com armas as tentativas de invasão de terra fizeram o MST mudar sua tática de ação no fim-de-semana no Pontal do Paranapanema (extremo-oeste do Estado de São Paulo). Os sem-terra pretendem reduzir o poder de defesa da UDR, realizando invasões em pontos isolados, sem concentrar todo o seu poder de mobilização em uma só fazenda, como estava programado. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pretendia reunir cerca de 3.000 famílias no acampamento Taquaruçu, amanhã, para decidir se volta a invadir a fazenda São Domingos, como aconteceu em fevereiro. Ao saber dos planos do MST, a UDR anunciou que vai levar seus filiados e seguranças contratados para a São Domingos - que fica ao lado do Taquaruçu -, e expulsar os sem-terra que entrarem na propriedade. Com a mudança nos planos, a estratégia dos sem-terra é realizar assembléias isoladas em todos os acampamentos no Pontal, para confundir os movimentos dos ruralistas.
O MST também está atuando nas periferias das cidades para, segundo as lideranças, arregimentar 14 mil pessoas para invasões. Em resposta ao MST, fazendeiros ligados à UDR estão formando milícias armadas para atuar nas propriedades ameaçadas.
A UDR também anunciou que vai destruir barracos dos sem-terra e propriedades ligadas ao MST, no caso de haver danos nas fazendas invadidas. Entre as lideranças ruralistas, o discurso radical está se unificando. O governo está pondo uma massa de gente contra a outra. A tragédia está por um fio, disse Almir Soriano, 37, presidente do Sindicato Rural de Presidente Venceslau (635 quilômetros de São Paulo).
Apesar do aumento da tensão no Pontal, os sem-terra continuam a desafiar os ruralistas. Vamos fazer ocupações nos quatro cantos do Pontal, em Rosana, Presidente Epitácio, Teodoro Sampaio e Sandovalina, disse o coordenador do MST Márcio Barreto.
Desarmamento - A Polícia Militar começou a fazer ontem uma operação desarmamento nas estradas que dão acesso às fazendas de conflito do Pontal do Paranapanema (SP). A ação vai ser intensificada hoje. O objetivo é evitar um conflito armado entre fazendeiros e sem-terra. Até as 17 horas, nenhuma arma havia sido apreendida, segundo o comandante da PM na região, coronel João Ferreira de Souza Filho. Ele não revelou o efetivo de homens nas ruas, mas disse que seria reforçado.
À tarde, uma comissão de 25 fazendeiros ligados à UDR entregou aos comandos da PM e da Polícia Civil de Presidente Prudente pedidos de policiamento preventivo e ostensivo nas proximidades das fazendas. O presidente da entidade ruralista, Roosevelt Roque dos Santos, disse que, se não for dada a segurança necessária, os fazendeiros saberão como se defender. (Leia mais sobre o assunto no caderno Folha Cidades)


