São Paulo - A Coordenação Nacional dos Movimentos Sociais, que reúne desde a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) às pastorais sociais da Igreja Católica, realizará no dia 13 manifestações contra o desemprego em todo o País. Será a primeira ação conjunta dos movimentos reunidos na recém-criada coordenação, cujo principal objetivo é pressionar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a adotar uma agenda voltada para questões sociais. De acordo com os líderes dos movimentos, até agora, a agenda foi dominada por questões econômicas.
As manifestações em São Paulo seriam definidas ontem, durante uma reunião plenária com os líderes dos movimentos, entre eles, o presidente Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, e o dirigente nacional do MST João Pedro Stédile. As sugestões variam de marchas pelas principais avenidas da cidade a ocupações de edifícios de fábricas falidas.
''Será um dia de luta a favor do trabalho'', diz o líder Gilmar Mauro, da coordenação nacional do MST. Isso quer dizer que, nas manifestações, também se reivindicará a reforma agrária tida como a forma mais barata e rápida que o governo teria para criar empregos.
Toda a primeira quinzena de setembro, deve ser marcada por ações dos movimentos sociais. No dia 1º começa a coleta de assinaturas para um documento que será encaminhado ao governo pedindo a realização de um plebiscito nacional para definir a participação do País na Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Será coordenado pelo Grito dos Excluídos, no qual predomina a participação da Igreja Católica e que também faz parte da coordenação dos movimentos sociais. A entrega das assinaturas em Brasília está prevista para o dia 16.
No dia 8, começa uma semana de boicote aos produtos de empresas dos Estados Unidos, também sob a coordenação do Grito dos Excluídos. No documento de convocação para o boicote, são citadas a Coca-Cola, Texaco, Esso e McDonald's.
No dia 9, o MST deve unir-se a outros movimentos de sem-terra da América Latina para a Jornada de Luta Continental contra a Organização Mundial do Comércio (OMC), cujas decisões estariam prejudicando principalmente os pequenos agricultores. Estuda-se a possibilidade de bloqueio de rodovias usada para ligações entre países do continente.
As ações da coordenação dos movimentos sociais nos próximos meses serão pautadas por três temas: terra, trabalho e moradia. Outra questão considerada divisor de águas é a reforma agrária o que explica em parte a destacada presença do MST na articulação da coordenação dos movimentos sociais.
Segundo o bispo dom Pedro Luiz Stringhini, responsável pelas pastorais sociais da Arquidiocese de São Paulo, o governo ainda não encontrou o rumo das mudanças sociais para o qual teria sido eleito: ''Até agora, as prioridades foram das áreas econômica e financeira. Para mudar o governo, precisa do respaldo dos movimentos sociais, e é isso que se pretende com as manifestações previstas para os próximos dias.''
Na CUT, que é vinculada ao PT, também se afirma que as ações dos movimentos sociais se destinam sobretudo a apoiar o governo.

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