Dimitri do Valle
Uma réplica de uma cadeia foi montada pelo MST, ontem, em frente ao Tribunal de Justiça, em Curitiba. Dentro foram colocados quatro integrantes, que representam os 22 líderes presos pelo governo estadual durante as desocupações ocorridas em maio. ‘‘A manifestação é para pressionar a Justiça a julgar os pedidos de habeas-corpus das lideranças, presas irregularmente’’, disse Célio Rodrigues, coordenador do acampamento.
Rodrigues afirmou que a ‘cadeia’ também é um protesto contra a juíza Elizabeth Khater, de Loanda, que teria autorizado o grampo telefônico de líderes do MST. ‘‘Nos dois casos, o poder judiciário vem se mostrando lento, sem interesse de punir quem agiu irregularmente’’, afirmou. ‘‘Com o protesto, queremos sensibilizar a sociedade a pressionar o Poder Judiciário, para nos receber para uma conversa.’’ Ontem, o presidente do TJ, Sidney Zappa, não quis receber os manifestantes.
No caso das prisões, Rodrigues explicou que o MST quer que o habeas-corpus seja julgado mais rapidamente. ‘‘Faz um mês que o processo tramita na Justiça, quando, em contrapartida, uma juíza assina a reintegração de posse em apenas cinco minutos.’’
O governador Jaime Lerner afirmou ontem que está disposto a mediar a questão agrária no Paraná, em especial nos conflitos entre MST e ruralistas. Durante um encontro de empresários do turismo, anteontem, ele disse que qualquer solução depende da liberação de novos recursos do governo federal para desapropriação de terras.
Lerner disse que está cobrando do Ministério da Política Fundiária verbas para acelerar os assentamentos. Mas o governador considera que para as negociações andarem é preciso que o MST não encare o governo como adversário. ‘‘Não somos contra os sem-terra, não somos o outro lado.’’

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