MST permanece em fazenda após acordo em Londrina
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quinta-feira, 20 de agosto de 2015
Rafael Fantin<br> Reportagem local 
Os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vão permanecer na Fazenda Figueira, no distrito de Paiquerê, na zona rural de Londrina, apesar da reintegração de posse concedida na última quarta-feira pela 1ª Vara Cível em resposta ao pedido da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq), que desenvolve trabalhos na área de pesquisa na propriedade de 3,7 mil hectares. O acordo entre a administração da fazenda e o MST foi confirmado ontem durante uma reunião no gabinete do prefeito Alexandre Kireeff (PSD) com a presença de representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da Assessoria Especial de Assuntos Fundiários do Governo do Estado.
No início desta semana, 1.300 famílias invadiram a fazenda experimental e permanecem na área, onde o milho foi colhido recentemente. Ao contrário da última terça-feira, quando o acampamento estava aberto e os trabalhadores montavam os barracos com tranquilidade, o clima na fazenda era de tensão na tarde de ontem. O MST bloqueou a estrada de terra após a sede da Fealq, controlando a entrada no acampamento com acesso apenas aos veículos autorizados.
O assessor de Assuntos Fundiários, Hamilton Serighelli, afirmou que o governo estadual vai procurar uma solução pacífica para o conflito e anunciou uma série de medidas em parceria com o Incra, como a vistoria da área para confirmar ou não se o local é produtivo, o cadastro das famílias que estão na Figueira e a busca por áreas na região de Londrina que podem ser desapropriadas para atendimento dos acampados, que será feita com o apoio da Sociedade Rural do Paraná (SRP). "A reintegração de posse à força só acirraria ainda mais o problema. Vamos trabalhar em conjunto com o Incra e com a Prefeitura de Londrina para que essas medidas sejam realizadas em até 10 dias", afirmou.
O coordenador do MST no Paraná, Diego Moreira, comentou que a reunião foi importante para abertura do diálogo e para firmar o compromisso com os proprietários e com os órgãos públicos de que a reintegração de posse não será realizada antes das visitas do Incra e o estudo sobre áreas que podem servir como assentamentos para as 1.300 famílias. "A maioria das pessoas que estão no acampamentos é dos distritos rurais de Londrina ou de municípios da região e quer apenas uma oportunidade para trabalhar no campo em um pedaço de terra. A vistoria do Incra é necessária para confirmar se o local é produtivo e também a origem da propriedade. Se vamos continuar no local ou não, é o Incra que vai dizer", argumentou.
O administrador da Fazenda Figueira, o engenheiro agrônomo José Renato Silva Gonçalves, defendeu que o local é produtivo e que a Fealq realiza pesquisas para desenvolvimento científico, econômico e social. Indagado se existe a possibilidade de negociação com o Incra para desapropriação de parte da área, ele respondeu que "existe restrição de venda" da fazenda doada à fundação privada em 1995. "Não existe área arrendada na fazenda. Toda a propriedade é administrada pela Fealq. Parte é produtiva e outra é uma reserva natural para preservação ambiental", acrescentou.


