MST pede intervenção federal em conflitos
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terça-feira, 16 de setembro de 2003
Lilian Christofolettie Fernanda Krakovics<br> Agência Folha 
Brasília - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pediu ontem a intervenção do governo federal nas disputas agrárias e exigiu medidas concretas para extinguir ações de milícias armadas em todo o País. Pelas contas do movimento, 53 pessoas já foram assassinadas no campo desde o início do ano, contra 43 mortas em 2002.
Os Estados citados pelo MST ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, como os que mais violam os direitos humanos no campo são: Pará, São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Oficialmente, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) reconhece 20 mortes no campo de janeiro até agosto. ''Temos evidências concretas da ação de milícias privadas nesses Estados'', disse Valdir Misnerovicz, um dos dirigentes nacionais do MST.
No encontro o MST pediu ainda a intervenção do governo federal nos Estados para conter as ações de desocupações e despejos de sem-terra. Segundo o movimento, neste ano ocorreram 32 despejos. Outros 60 estariam programados até dezembro. Uma possível ação do governo federal nesse sentido seria mais limitada, justificou o ministro ao MST, pois os Estados têm autonomia para gerir a questão agrária em seus territórios.
Sobre as milícias armadas, Thomaz Bastos disse que está em curso na Polícia Federal um trabalho de monitoramento dos conflitos no campo. Um dos objetivos do estudo, segundo ele, é desarmar e punir os fazendeiros acusados de financiar grupos armados.


