MST pede ajuda ao MEC para ampliar educação
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segunda-feira, 09 de agosto de 2004
Lisandra Paraguassú<br>Agência Estado 
Brasília, DF- O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) quer ajuda do Ministério da Educação para ampliar o seu sistema educacional. Em uma audiência ontem com o ministro da Educação, Tarso Genro, o grupo de educadores do movimento pediu a liberação de recursos do programa Brasil Alfabetizado - praticamente parado desde o início do ano.
E também para concluir a Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema (SP), que o MST quer usar para formar jovens nas áreas de educação e agricultura e lideranças políticas. A escola, que deve começar a funcionar em janeiro, está sendo feita com doações obtidas no Brasil e no exterior.
João Paulo Rodrigues, coordenador do MST, disse que há um projeto para a organização receber financiamento do MEC, via Programa de Expansão do Ensino Profissional (Proep), parado desde 1998 no ministério. ''Nossa escola deve abrir em janeiro e não estamos entre os 41 projetos que devem receber recursos este ano.Até hoje não recebemos nada do governo federal'', disse João Paulo.
Segundo o ministro da Educação, o investimento no Proep foi diminuído no orçamento de 2004 e o atendimento também. ''Mas o Proep foi uma área que ainda não conseguimos mexer. Agora estamos fazendo uma reestruturação do programa e vamos ver o que pode ser feito'', disse Tarso.
No Brasil Alfabetizado o MST cobrou a assinatura do convênio que vai permitir ao movimento continuar a alfabetização nos assentamentos e também em acampamentos. Os sem-terra já fizeram parte do programa em 2003, mas a assinatura dos convênios deste ano estava suspensa no primeiro semestre para reavaliação.
O MST pediu ainda a continuidade na liberação de recursos e deve apresentar ao ministério um projeto para os próximos dois anos. ''Temos acampamentos com mais de 50% de analfabetos. A descontinuidade prejudica a mobilização do pessoal. Quando pára precisamos começar tudo de novo'', disse João Paulo. Segundo Tarso Genro, o ministério vai trabalhar com a possibilidade de projetos de longo prazo.


