MST-PE inicia marcha em destilaria ocupada desde domingo
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segunda-feira, 12 de abril de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 13 (AE) - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) realiza neste sábado, na sede da Destilaria Liberdade, em Escada, na zona da mata pernambucana, um ato ecumênico para lembrar os três anos do massacre de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás, no sul do Pará. A empresa está ocupada há três dias por cerca de mil trabalhadores rurais. No próximo domingo eles iniciam uma marcha de 60 quilômetros, para o Recife
saindo do acampamento da destilaria, onde permanecerá um grupo. A expectativa do coordenador do MST-PE, Jaime Amorim, é de que a marcha tenha a participação de cerca de dois mil trabalhadores. "Tem muita gente chegando à destilaria, nosso ponto de partida", afirmou.
Na terça-feira (20), os sem-terra participam de uma passeata nas ruas centrais da capital e de ato público junto com sindicatos, igreja, partidos políticos de oposição e movimentos sociais num protesto contra a política do governo federal e o programa Cédula da Terra. Jaime Amorim adiantou que no percurso da passeata, os manifestantes deverão parar defronte o consulado norte-americano para repudiar "a ingerência do FMI na política brasileira". Segundo ele, a decisão do governo de fazer uma reforma agrária com base na lei do mercado é imposição do fundo monetário.
O líder do MST-PE disse que a ocupação da destilaria de álcool, em funcionamento, tem por objetivo impedir o governo federal de recuar na realização da reforma agrária. Acrescentou que se nada for feito e não for discutida a função social da terra - que deve servir para alimentar e gerar emprego - outras invasões ocorrerão, podendo ser em destilarias ou áreas produtivas ou improdutivas.


