Belém, 25 (AE) - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) está mobilizando cerca de 2 mil famílias de lavradores e desempregados, que começam a chegar amanhã (26) em Belém, para juntarem-se a outras 600 famílias que já se encontram na cidade acampadas na Praça da Leitura, no bairro de São Braz. O MST reivindica do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Estado o assentamento das 2,6 mil famílias em fazendas próximas à capital, mas o órgão alega não dispor de recursos para sustentá-las enquanto elas estiverem em Belém.
Na última sexta-feira, após tensa reunião na sede do Incra, representantes do MST deixaram o local acusando o governo federal de "agir com descaso" em relação à reforma agrária. O superintendente do instituto, Darwin Boerner, respondeu que o MST havia pedido a reunião para reivindicar a desapropriação das fazendas Bacuri e Cupiúba, em Castanhal, mas levou para o encontro uma "pauta extrapolada", exigindo atenção imediata para 2 mil famílias, cestas básicas e atendimento médico para os acampados na praça. "Isso está acima das possibilidades do Incra, que não dispõe de recursos", afirmou Boerner.
O movimento também quer 2 mil metros de lona preta, cem quilos de cordas e cadastro do Incra de todos os acampados, além do fornecimento de documentos para os trabalhadores. Boerner disse que o processo de desapropriação da Fazenda Bacuri "está em fase final em Brasília". Sobre as 2 mil famílias que estão chegando em Belém, ele foi incisivo: "Quero saber quem são, nomes, o que fazem e se são pessoas enquadradas no perfil da reforma agrária".

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