MST organiza resistência em Rio Iguaçu
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de maio de 1999
Paulo Pegoraro 
A coordenação regional do Movimento dos Sem-Terra (MST) do Paraná está mobilizando lavradores assentados, no Sudoeste e Centro-Oeste do Estado, para que se somem aos sem-terra que invadiram na segunda-feira o Imóvel Rio Iguaçu, em Quedas do Iguaçu (Sudoeste), de propriedade da empresa Araupel S.A. A Justiça determinou no final da tarde de anteontem a reintegração de posse solicitada pela empresa, mas o coordenador do MST, Elemar Cezimbra, assegura que não sairemos da terra e resistiremos a possíveis despejos.
A invasão foi feita por cerca de 2,5 mil pessoas (600 famílias), entre adultos e crianças, mas o capitão Celso Borges, comandante do Destacamento da Polícia Militar de Quedas do Iguaçu revelou ontem que a elas se juntaram assentados da região, e agora são cerca de três mil pessoas. A informação confirma a existência da mobilização de assentados para apoio aos sem-terra, segundo Elemar Cezimbra. O coordenador diz que todos os assentados da região estão em alerta para garantir apoio e a permanência na terra.
O Imóvel Rio Iguaçu tem 5 mil hectares, dos quais 1,8 mil para lavoura e o restante reflorestamento e matas nativas. A Araupel, que atua em agricultura e tem indústrias madeireira e de papel-cartão, é dona do total de 53 mil hectares, em imóveis contíguos, cercados por pequenas propriedades. Outros 27 mil hectares foram desapropriados para assentamento, a partir de invasões em 96. Para Elemar Cezimbra, um latifúndio tão grande, improdutivo, encravado no minifúndio, não é racional, não é legítimo e não cumpre a função social.
Segundo ele, nos 27 mil hectares já desapropriados há hoje cinco mil empregos na agricultura, enquanto antes não eram gerados 200. Roni Chiochetta, diretor da Araupel, garante porém que dos 53 mil hectares restantes, os quais 24 mil de matas nativas e 21 mil de reflorestamento. A área é vital para a empresa, pois é de lá que sai nossa matéria-prima, diz. Ele acrescenta que a empresa não considera qualquer possibilidade de ceder mais terras, além das que já cedeu.
O capitão Celso Borges avaliou como aparentemente tranquila a situação na área ontem. Alguns policiais permanecem nas proximidades da cancela principal do imóvel, onde sem-terra (com foices e facões) montaram barreira, impedindo a entrada de estranhos. A PM ainda não tem instruções da Secretaria de Segurança, para o cumprimento da ordem de reintegração de posse. O contingente do Destacamento de Quedas do Iguaçu é bastante reduzido, e em caso de despejo terão que ser requisitados soldados de várias outras unidades da região. Hoje, o superintendente do Incra no Paraná, José Carlos Vieira, visita a região para se inteirar dos fatos.


