MST ocupa Transamazônica, Banco do Brasil e rodovias no PA
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quarta-feira, 01 de dezembro de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 01 (AE) - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Pará anunciou no início da tarde a ocupação por "tempo indeterminado" de rodovias estaduais e federais, além de manifestações em frente às agências do Banco do Brasil nos municípios de Marabá, Parauapebas, Tucuruí, Castanhal e Belém. De acordo com o MST cerca de 10 mil famílias de agricultores estão montando acampamentos.
As ações são para forçar o Ministério de Política Fundiária a liberar R$ 140 milhões do programa de reforma agrária retidos em Brasília. O dinheiro será utilizado na construção de escolas, postos de saúde, pontes e estradas, além de eletrificação.Em nota, a direção do MST no sul do Pará acusou o Incra de nada fazer para cumprir vários acordos firmados com os movimentos sociais que lutam pela reforma agrária. "O governo está fazendo uma reforma agrária virtual, que funciona somente em propaganda de TV", diz o texto.
De acordo com Joaquim Ribeiro, da coordenação do MST em Marabá, cerca de 2 mil assentados fecharam no final da manhã a rodovia PA-150, em Parauapebas. Outro grupo numeroso também ocupou a rodovia que dá acesso à Eldorado dos Carajás, no trecho onde 19 trabalhadores rurais foram mortos pela Polícia Militar em abril de 1996.
Ribeiro informou ainda que a rodovia Transamazônica foi fechada na altura do km 25, entre os municípios de Marabá e São João do Araguaia, em frente à antiga fazenda Pastoriza. Outro acampamento foi montado no trecho da rodovia PA-150 em frente a fazenda Cabaceira, ocupada por 1.500 famílias. "Os trabalhadores estão passando privações, a safra agrícola deste ano está prejudicada por falta de recursos e os assentamentos estão abandonados", diz o MST.
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Federação de Trabalhadores Rurais do Pará (Fetagri), que apóiam as manifestações, afirmam que desde o início do ano vêm denunciando irregularidades praticadas pelo Incra em Marabá, como o superfaturamento de áreas para reforma agrária, além de conivência com prefeituras que fazem obras de péssima qualidade nos projetos de assentamento.
O ministro de Política Fundiária esteve reunido à tarde com seus auxiliares discutindo as medidas que podem ser tomadas para tentar persuadir setores de outros ministério do governo federal a liberar o dinheiro da reforma agrária bloqueado ."O nosso ministério não trata da liberação desses recursos", explicou a diretora de Conflitos Fundiários do Incra, Maria de Oliveira. Ela disse que preferia não entrar em detalhes sobre quem é o responsável por esse bloqueio ou porque está fazendo isso.


