Sorocaba, SP- Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocuparam ontem sete escritórios regionais do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) no Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado. De acordo com o líder José Rainha Júnior, que coordenou as ações, o objetivo era protestar contra o ''descaso'' do órgão com o projeto de reforma agrária da região.
Segundo Rainha, o governo federal repassou, através do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), R$ 28 milhões para a aquisição de terras para assentamentos. ''O ano está terminando e, se a verba não for empregada, voltará para os cofres da União.''
O grupo ligado a Rainha mobilizou cerca de 1.200 acampados e assentados para ocupar os escritórios de Presidente Prudente, Presidente Venceslau, Presidente Bernardes, Teodoro Sampaio, Mirante do Paranapanema, Euclides da Cunha Paulista e Rosana.
Os sem-terra ocuparam apenas a entrada dos prédios para que os funcionários, segundo Rainha, não fossem impedidos de trabalhar. ''Eles estão do nosso lado.''
A ministra e o presidente do Incra, Rolf Harckbart, participaram de um encontro sobre biodiversidade e reforma agrária no Assentamento Che Guevara, em Mirante do Paranapanema. O evento foi organizado pela ala do MST considerada rival de Rainha e teve ainda a presença do dirigente nacional Gilmar Mauro. O movimento está dividido na região.
O Itesp informou, através da assessoria de imprensa, que a verba já liberada pela União para a negociação de terras no Pontal é de apenas R$ 4 milhões. Outros R$ 24 milhões seriam liberados após o uso dessa verba. Não há como apressar a aquisição das áreas, pois depende de acordo com os donos das terras.

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