Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tomaram ontem as cinco casas da Fazenda Casa Amarela, no município de Ramilândia (110 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu), um dia depois que um tiroteio no local deixou sete feridos. As últimas duas famílias de funcionários que permaneciam morando na sede da propriedade, concluíram a retirada de suas mudanças anteontem à tarde.
Ontem, o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná, José Carlos de Araújo Vieira, e o assessor de Assuntos Fundiários do governo estadual, Antônio Carlos da Costa Coelho, viajaram à fazenda para avaliar a situação. Hoje, deverá chegar ao local o ouvidor nacional do Incra, Gersino José da Silva Filho. A assessoria de imprensa do Incra não soube informar a situação jurídica atual da fazenda.
O delegado de Matelândia, Antônio Carlos Brandão, que conduz o inquérito sobre o caso, confirmou ontem que, dos sete feridos no tiroteio, seis são ligados ao MST e estavam no acampamento – separado da sede apenas por uma estrada. O outro ferido é Sérgio Soares Santos, de 24 anos, irmão de um dos funcionários da fazenda, que estaria no local a passeio. Todos os feridos já não corriam risco de vida ontem.
Brandão já ouviu sete depoimentos – de cinco diaristas que chegaram à fazenda depois do tiroteio; Sérgio Soares Santos e sua cunhada, Ângela Maria dos Santos. Ângela sustenta que o tiroteio começou depois que três homens encapuzados a tiraram de casa sob a ameaça de armas. Na próxima semana, o delegado começa a ouvir os feridos e testemunhas ligadas ao MST.
Pelos depoimentos tomados até agora, Brandão disse ontem à Folha que a versão que mais se aproxima da realidade é de que os sem-terra, armados, teriam tentado invadir a sede, gerando uma reação dos funcionários. Ele afirmou também que não acredita que havia pistoleiros na fazenda. Mesmo assim, um grupo de homens que estava na sede continuava desaparecido ontem. Na sede, a polícia apreendeu seis espingardas. Nenhuma arma foi encontrada no acampamento, onde vivem 94 famílias.

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