Lúcio Flávio Moura
Especial para a Folha
Um grupo de 150 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupa desde a manhã de ontem a sede da Fazenda Mitacoré, em São Miguel do Iguaçu (45 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu). A área de 40 hectares era a única da fazenda - de 1.098 hectares - que ainda não estava ocupava. Desde agosto de 97, 90 famílias (400 pessoas) sem-terra vivem na propriedade, trabalhando no cultivo de milho, soja, feijão e arroz.
Às 7h30 de ontem, o grupo, carregando colchões e lonas plásticas, montou acampamento próximo à entrada principal da fazenda e rendeu os quatro vigilantes. A ação contou com reforço de 100 pessoas oriundas de acampamentos e assentamentos da região Oeste do Estado.
‘‘Os seguranças fecharam os portões e estavam nos impedindo de transitar pela área da sede’’, justificou Mauro Paiva, líder da ocupação e integrante da coordenadoria regional do movimento. Os seguranças disseram que foram mantidos como reféns. Ainda pela manhã, registraram queixa na Polícia Civil de São Miguel do Iguaçu. Segundo eles, as crianças das 17 famílias de ex-funcionários que ainda vivem na colônia foram impedidas pelos invasores de frequentar a escola da propriedade. Paiva negou os fatos.
Os líderes da ocupação informaram que a ação já estava sendo planejada há dois meses, como último passo para o domínio total da Mitacoré. ‘‘Enquanto temos dificuldade para armazenar nossa produção de grãos, toda a estrutura de estocagem e beneficiamento da fazenda estava abandonada’’, disse Paiva.
Na sede há dois silos com capacidade total de 75 mil toneladas, secadores, galpões para tratores e confinamento de gado leiteiro, salão para visitas técnicas, escola, refeitório e 21 casas. O MST aguarda uma posição do governo federal sobre o futuro do acampamento. Recentemente, recusou uma proposta do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para transformar parte da propriedade em centro de pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Universidade do Oeste do Paraná.
‘‘Só aceitaremos esta proposta se formos parceiros no projeto’’, garantiu Paiva. Segundo informou à Folha José Carlos Araújo, superintendente estadual do Incra, a desapropriação deve sair ainda este ano. A intenção é assentar as 90 famílias em uma área de 700 hectares e reservar outros 380 para a criação do centro de pesquisas.
Até 97, a Mitacoré foi considerada modelo. Lá eram desenvolvidas pesquisas de desenvolvimento de novas variedades de semente e plantios. Em março daquele ano, a fazenda, então pertencente ao Grupo Bamerindus, foi encampada pelo Banco Central e passou a ser administrada pela Embrapa.Área, única ainda não ocupada pelos sem-terra que estão na fazenda desde 97, dispõe de estrutura para estocagem e armazenamento de grãos
Christian RizziAcampamentoGrupo chegou ao local pela manhã carregando colchões e lonas plásticas e se alojou perto da sede, após render os quatro vigilantes. A ação contou com reforço de 100 pessoas vindas de invasões e assentamentos da região Oeste do Estado

mockup