Curitiba- Cerca de 900 policiais militares desocuparam ontem a Fazenda Três Marias, em Manoel Ribas (município que fica 146 quilômetros ao sul de Apucarana), onde estavam acampadas desde maio do ano passado mais de duas mil pessoas, entre elas 470 crianças. A negociação para a retirada das famílias durou cerca de cinco horas. Enquanto negociavam, os sem-terra pressionavam o governo do Estado para tentar evitar a desocupação, invadindo duas praças de pedágio da Concessionária Rodovia das Cataratas, na BR-277.
Na última vez que usaram essa estratégia, há 15 dias, o governo do Estado resolveu suspender as reintegrações de posse em áreas de conflito por tempo indeterminado. As ocupações nas praças começaram por volta das 10 horas, quando 200 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) abriram as cancelas da praça de pedágio do município de Candói (76 quilômetros a oeste de Guarapuava) e passaram a cobrar pedágio dos veículos que transitavam no local. Houve corte nas comunicações interna e externa e oito funcionários foram mantidos dentro do setor administrativo, que foi coberto com lonas pretas.
Por volta das 11h30, outros 500 sem-terra ocuparam a praça de pedágio de Cascavel, onde as cancelas foram abertas. Entretanto, não houve a cobrança de pedágio para o MST. Depois de intensa negociação na Fazenda Três Marias e a falta de recuo por parte do governo do Estado, o grupo resolveu ceder. A desocupação da fazenda e das praças de pedágio começou simultaneamente, por volta das 14h40. Os sem-terra foram transportados com caminhões e ônibus cedidos pelos ruralistas até uma área da Prefeitura Municipal de Manoel Ribas. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) distribuiu lonas plásticas e se comprometeu a dar cestas básicas para as famílias que foram realocadas. A Fazenda Três Marias tem 900 hectares.

mockup