Curitiba- As reintegrações de posse em áreas de conflito no Paraná estão suspensas por tempo indeterminado. A decisão foi tomada ontem depois da invasão de duas praças de pedágio da concessionária Rodovia das Cataratas que, recentemente, fechou acordo com o governo do Estado para redução das tarifas de pedágio em 30%. As ocupações foram feitas na manhã de ontem nas praças de pedágio dos municípios de Candói (76 km a oeste de Guarapuava) e Cascavel. Cerca de 800 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam as praças de pedágio por quatro horas e meia. Eles ameaçam retornar hoje à tarde.
A situação mais grave foi registrada na praça de pedágio de Candói, que teve as cancelas quebradas, houve corte nas comunicações interna e externa, as janelas foram apedrejadas e cerca de oito funcionários foram mantidos em cárcere privado. No local, foram colocadas lonas ao redor do setor administrativo da praça de pedágio, impedindo a entrada e a saída dos funcionários.
Na praça de Cascavel a ocupação foi pacífica e não houve estragos. Nas duas praças de pedágio, o MST liberou completamente a passagem dos veículos. A estimativa é de que cerca de 1,5 mil veículos tenham passado sem pagar a tarifa. Durante o ato, os sem-terra pediram a presença do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para negociar a desapropriação e o assentamento das famílias. Eles querem ser assentados na Fazenda Campo Real, em Candói, com 6.121 hectares, onde vivem 1 mil famílias de sem-terra; na Fazenda Boico, em Ramilândia, onde vivem 800 famílias; e na Fazenda Complexo Cajati, em Cascavel, com 1,2 mil famílias acampadas.
Estimativas apontam que a concessionária teve um prejuízo médio de R$ 5,6 mil somente com a liberação das cancelas. A assessoria de imprensa do MST informou ontem que a suspensão do protesto foi por apenas 14 horas. Caso não haja uma negociação efetiva com o Incra nas próximas horas, as manifestações podem ser retomadas na tarde de hoje.
As áreas pedidas para desapropriação pelo MST são consideradas parcialmente produtivas e estão com mandados de reintegração de posse. Hoje, às 9 horas, o superintendente do Incra do Paraná, Celso Lisboa de Lacerda, estará na Fazenda Campo Real para negociar com os líderes do MST.
Lacerda não deve propor a desapropriação total das fazendas. Ele vai levar a informação da compra de novas duas áreas no interior do Paraná e a prioridade de assentar as 4 mil famílias que vivem em locais de risco de conflito. ''Vamos pedir paciência aos acampados'', disse Lacerda, que telefonou ontem para o secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, e pediu a suspensão do cumprimento das ordens de reintegração de posse.

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