MST ocupa fazenda 24 horas após reintegração
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quarta-feira, 07 de maio de 2008
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Cumprindo o aviso feito durante a desocupação, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram pela terceira vez a Fazenda Agropecuária Neblina (antiga Coopersucar) na tarde de ontem, em Primeiro de Maio (Norte do Estado). Na terça-feira à tarde, a Polícia Militar cumpriu ordem judicial e retirou as cerca de 50 famílias que estavam na propriedade desde o início de janeiro. O proprietário, que já ingressou com nova ação de reintegração de posse, comentou que a situação é de risco.
Em entrevista na sede da Sociedade Rural do Paraná (SRP) em Londrina, a esposa e representante do proprietário da fazenda, Débora Aparecida de Carvalho, disse que não foi possível dimensionar os prejuízos provocados pela invasão. Ela afirmou que pelo menos 20 cabeças teriam sido abatidas e cinco mil litros de óleo e duas grades retirados do local.
Débora afirmou que a situação na área é perigosa porque até mesmo uma viatura da Polícia Militar que fazia ronda nos arredores da fazenda teria sido retida na tarde de ontem pelos integrantes do MST. Segundo ela, três policiais tiveram que negociar para serem liberados. A informação não foi confirmada pelo tenente João Pedro, da PM de Primeiro de Maio. ''Os policiais viram que eles estavam voltando e tentaram convencê-los de que aquele não seria o melhor caminho. Mas, de maneira nenhuma ficaram retidos'', garantiu. O policiamento na região foi reforçado.
A representante do proprietário disse que os advogados da empresa já entraram com nova ação de reintegração de posse. Ela reafirmou que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) declarou que a fazenda é produtiva: a propriedade tem 198 alqueires e é voltada para a produção de trigo, milho e soja. ''Vamos agir sempre de acordo com a lei mas um fato destes deixa a gente sem referencial'', confessou. Esta foi a terceira vez desde setembro que a Agropecuária Neblina é ocupada pelo MST.
A FOLHA não conseguiu contato com nenhuma liderança do MST na região.


