MST ocupa área da Igreja
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de março de 2000
Por Jair Aceituno, especial para a AE 
Jaú, SP, 27 (AE) - Cinquenta famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estão ocupando desde o último final de semana uma gleba pertencente à igreja católica, localizada na margem do quilômetro 169 da rodovia SP-225, no trecho entre Jaú e Brotas.
Ao contrário das outras vezes, que ocuparam as terras à revelia, foram para o local com a autorização do bispo diocesano de São Carlos, d. Joviano de Lima Júnior, que concordou com a ocupação depois de ouvir as razões do grupo, apresentadas pelo padre Celso Buscariollo, de Bocaina.
A ordem autorização é para que fiquem no local até que o Instituto Nacional de Colonização a Reforma Agrária (Incra) localize e desaproprie uma área na região que sirva para o assentamento do grupo.
Os sem-terra de Jaú promoveram a primeira ocupação no dia 29 de janeiro, na Fazenda São Bento, de 480 hectares, que pertenceu ao grupo Chammas e hoje é propriedade do Banco Mercantil de Descontos, que a arrematou para o pagamento de dívidas.
Dias depois de lá saíram e ocuparam uma avenida da cidade, motivando uma ações judiciais da Prefeitura que os impediram de continuar no local e, cautelarmente, de ocupar outra área pública localizada no município. Voltaram a ocupar a São Bento de onde, na semana passada, tiveram que sair em razão de nova ordem judicial.
Desde o início, o coordenador do grupo, ex-sindicalista Marcos Vinício Marin, disse que os integrantes pretendem um pedaço de terra para voltar ao campo, já que não conseguem encontrar emprego nem outros meios dignos de sobrevivência na cidade.
A disposição da igreja em ajudar o grupo com a cessão do seu próprio patrimônio causou grande repercussão local e regional, principalmente entre os proprietários rurais, que frequentemente desafiam a instituição, que apóia os movimentos sociais, a promover a reforma agrária "em suas terras".
Especula-se ser esta a primeira vez que a igreja cede suas terras, ainda que provisoriamente, mas nem o padre Celso Buscariollo nem o bispo D. Joviano foram encontrados para comentar o assunto.


