MST ocupa área da Cesp no Pontal
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quinta-feira, 03 de setembro de 1998
Luiz Carlos Lopes Agência Estado 
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST) ocupou ontem de manhã uma área de 133 hectares onde está o canteiro de obras desativado da Usina Hidrelétrica de Taquaruçu, em Sandovalina, no Pontal do Paranapanema. Durante a ação, o assentado Reginaldo de Carvalho foi preso em flagrante quando ateava fogo em uma reserva florestal da Fazenda São Domingos, ao lado da área. A invasão foi acompanhada a distância por um grupo de seguranças da São Domingos que, segundo o dirigente nacional do MST, Gilmar Mauro, estavam armados. Entre os seguranças, a denúncia era de que diversos sem-terra instalados nas proximidades da fazenda carregavam revólveres sob as roupas. Em fevereiro de 1997, oito sem-terra ficaram feridos à bala durante tentativa de invasão da propriedade.
Em Sandovalina, o delegado de polícia, Marco Antônio Scaliante Fogolin disse que Carvalho foi preso por crime de incêndio. O fogo queimou parte da reserva e atingiu uma lavoura de milho da propriedade. O sem-terra preso, que é assentado na Fazenda Bom Pastor, foi detido pelo proprietário e seus seguranças com ajuda da Polícia Militar. De acordo com o delegado, Carvalho teria dito que agia a mando do líder do MST, José Rainha Júnior. Foi aberto inquérito por formação de bando ou quadrilha, onde além de Rainha também o coordenador Gilmar Mauro figura como indiciado. Gilmar Mauro negou que a direção do movimento mandou o sem-terra tocar fogo na reserva. A direção da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) informou que vai ingressar em juízo, provavelmente hoje, com pedido de reintegração de posse da propriedade.
Esta foi a 13ª propriedade ocupada pelo MST em São Paulo desde o último domingo, na ofensiva destinada a pressionar o governo para acelerar os projetos de assentamento. A ocupação de ontem teve como objetivo reivindicar a área para a instalação de um centro de pesquisa agropecuário e chamar a atenção para a Fazenda São Domingos, cujo o processo de desapropriação foi interrompido por liminar da Justiça Federal.
A Fazenda São Domingos é o principal alvo do MST. Os dirigentes consideram uma questão de honra sua transformação em área de assentamento desde a tentativa de invasão em que os sem-terra foram feridos, em 1997. Foi também pelas sucessivas invasões da propriedade, que José Rainha, sua mulher Diolinda e outros seis dirigentes do MST foram condenados a dois anos de reclusão com direito a sursis pela Justiça de Pirapozinho, há três meses.
Na ação de ontem foram mobilizados cerca de 300 sem-terra dos acampamentos Chico Mendes, localizado ao lado da área da Cesp e Antônio Conselheiro. Os acampados do Antônio Conselheiro são os mesmos que iniciaram a atual ofensiva de invasão no Pontal, destruindo cercas e pastagens das fazendas Santa Clara e Nhancá. Eles foram transportados em caminhões para fortalecer a nova invasão e, pelo segundo dia consecutivo não entraram nas duas fazendas que haviam ocupado anteriormente.
Gilmar Mauro, que junto com Rainha liderou os invasores, negou que a decisão de não entrar ontem na fazenda Santa Clara e Nhancá signifique que a ocupação das duas áreas esteja suspensa: Estamos apenas dando um tempo para que o governo conclua as negociações para a arrecadação daquelas fazendas, disse.


